Archive for dezembro \31\-02:00 2006

Feliz 2007

Dança na Folhagem e a Saberdoria de Quintana

“Jogos da luz dançando na folhagem!
Do que eu ia escrever até me esqueço…
Pra que pensar? Também sou da paisagem…
Vago, solúvel no ar, fico sonhando…
E me transmuto… iriso-me… estremeço…
Nos leves dedos que me vão pintando!”

(Mário Quintana)

São Paulo, SP – Cursos de Férias

O Ballet Stagium está anunciando em seu site (ainda sem detalhes) seus cursos de férias a partir de 08 de janeiro de 2007 em São Paulo: Alongamento, Clássico, Jazz, Pilates e Sapateado. Informações: (11) 3085-0151 / 3081-0512 / http://www.stagium.com.br

Londrina, PR – Off-Tap – Último Dia

O Ballet de Londrina, companhia de dança mantida pela FUNCART e Prefeitura de Londrina, está recebendo até hoje, 30 de dezembro de 2006, currículos de interessados em ingressar no elenco do grupo. Estarão sendo recebidos currículos de bailarinos e bailarinas como idade acima de 16 anos.

Enviar por e-mail ou correios:
– Currículo;
– Foto de corpo inteiro em roupa de aula;
– Cópia do registro profissional como bailarino junto à DRT.

A audição será realizada no dia 27 de janeiro de 2007 às 14h, na sede da Companhia (R. Souza Naves, 2380, Londrina, PR, CEP 86015-430, (43) 3342-3262). Os candidatos que tiverem seus currículos selecionados serão comunicados por e-mail ou telefone no dia 04/01/2007 e farão três provas:

– Aula de ballet clássico;
– Aula de dança contemporânea;
– Execução de trechos coreográficos do repertório da Cia.

Contatos:
balletdelondrin@funcart.art.br / (43) 3342-2362

Tap Fotos – Gregory Hines

Fonte: internet.

Campinas, SP – Cursos de Férias

A Banana Broadway (Campinas, SP) está organizando e anunciando seus cursos de férias, uma semana intensiva de 22 a 26 de janeiro de 2007. Programação:

– Sapateado, de 22 a 26: das 18:30h às 19:30h (5 horas de aula)

– Street, de 22 a 26:
— das 09:30h às 10:30h (5 horas de aula) ou
— das 15:30h às 16:30h (5 horas de aula) ou
— das 19:30h às 20:30h (5 horas de aula)

– Dança Irlandesa, de 22 a 26: das 19:30h às 20:30h (5 horas aula)

– Tecido Acrobático, sábado, dias 20 e 27:
— das 11:30h às 13h (3 horas de aula) ou
— das 14:30h às 16h (3 horas de aula)

– Dança do Ventre, dias 22 e 24: das 20:30h às 22h (3 horas de aula)

– Jazz Adulto, dias 22 e 24: das 20:30h às 22h (3 horas de aula)

Investimento:
R$ 50,00 (Sapateado, Street, Irlandês)
R$ 30,00 (Dança do Ventre, Jazz e Tecido)

Pode haver a criação de novos horários, a partir de 4 pedidos.
Informações: Angélica, Jesebel e Juliana
(19) 3234-5564 / 7851-1319 / 7802-9379
banana@bananabroadway.com.br
http://www.bananabroadway.com.br

Rio, RJ – Off-Tap – Workshop – Contemporâneo

A Escola de Dança Marta Bastos, em Bangu, Rio de Janeiro, oferecerá em seu Curso de Verão de 2007 o Curso de Dança Contemporânea com Wagner Varela, bailarino do Balé da Cidade de São Paulo (SP). O curso será realizado de 08 a 12 de Janeiro de 2007, das 18:30h às 20h para alunos acima de 14 anos. Reservas e informações: secretaria@ciakhoros.com.br ou (21) 7830-6329 / 3331-7536. O valor será de R$ 80. Ex-alunos da EDMB (Escola de Dança Marta Bastos) têm 50% de desconto (R$ 40) e alunos da Escola (EDMB) não pagam.

Brasilia, DF – Off-Tap – Festival Novadança

O Festival Internacional da Novadança acontecerá em 2007 de 26 de janeiro a 12 de fevereiro em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro. Dedica-se a explorar os limites e possibilidades da dança contemporânea. Já estão abertas as inscrições para o workshop “Teatro Físico/Dança Contemporânea”, que será realizado de 02 a 04.02.2007 em em Brasília. . As inscrições podem ser feitas através do site do evento:

http://www.festivalnovadanca.com.br

Tap Fotos – The Nicholas Brothers

Fonte: internet.

Happy Feet – Acumulado no Mundo

Os primeiros números das bilheterias do fim de semana de Natal dão conta de que “Happy Feet – O Pinguim” alcançou a marca de 159 milhões de dólares nos EUA e de mais de 219 milhões de dólares no mundo inteiro, entrando na lista dos 270 filmes de arrecadação mundial maior que 200 milhões de dólares em todos os tempos, segundo dados do Internet Movies Database.

No Brasil, os números do fim de semana de Natal ainda não sairam, apenas as posições no ranking, e o filme dos pinguins sapateadores continua entre os 5 mais vistos no Brasil. “Ela Dança, Eu Danço” foi o 9o. colocado na lista de 22 a 24.12.2006.

Rio, RJ – Off-Tap – Temporada 2007

O Segundo Caderno de O Globo de ontem, 27.12.2006, trouxe outras duas matérias interessantes sobre as perspectivas da dança (contemporânea, moderno, flamenco e clássico) no Rio para 2007:

Em 2007, dança contemporânea rouba a cena
(Eduardo Fradkin)

A dança contemporânea vai dominar a cena em 2007, seguida pelo balé moderno e pelo flamenco. O clássico não deverá ter vez, a não ser em duas produções do Teatro Municipal (anunciadas na reportagem abaixo desta). Na agenda da Dell’Arte Soluções Culturais — que promove a série O Globo Em Movimento — já constam cinco atrações internacionais. Outras ainda dependem de negociação.

Sem delongas, as confirmadas são: Momix, Complexions, Companhia (de flamenco) Antonio Gades, Les Ballets Trockadero de Monte Carlo (ou Trocks) e Balé de Zurique. As duas últimas, apesar de terem balé no nome, não advogam o clássico. Os Trocks fazem dele uma paródia, e o grupo de Zurique dança um vigoroso balé moderno.

A Antares, outra atuante produtora, confirmou a vinda, em junho, do Nederlands Dans Theater, uma companhia holandesa de dança contemporânea fundada em 1959. Ela se subdivide em três grupos. O que virá ao Brasil é o segundo, formado por bailarinos de 17 a 22 anos de idade. Esse subgrupo, que possui repertório próprio, existe desde 1978 e conta com 16 integrantes.

Outras duas atrações da Antares dependem de patrocinador. São a Akram Khan Company, da Inglaterra, prevista para setembro, e, para outubro, a coreana JUMP!, que executa coreografias fortemente inspiradas nas artes marciais.

A temporada carioca da Dell’Arte começará dia 13 de março com o Balé de Zurique. A companhia, composta por 40 bailarinos provenientes de todo o mundo (até do Brasil), dançará ao som de algumas das belíssimas suítes para violoncelo solo de Bach, tocadas ao vivo por um músico no palco.

Em São Paulo, eles se apresentarão num lugar inusitado.

— Será a primeira vez que se fará um espetáculo de dança no Auditório do Ibirapuera. Os próprios suíços o visitaram e o aprovaram. Em 2007, o Teatro Municipal de São Paulo ficará fechado e isso gerou um enorme problema, pois não é rentável trazer grupos para apresentações apenas no Rio. Ao contrário do que se pensa, em São Paulo falta equipamento cultural. As alternativas ao Municipal são apenas os teatros Alfa e Sérgio Cardoso, que é pequeno — reclama o diretor executivo da Dell’Arte, Steffen Dauelsberg.

Em maio, os cariocas verão Complexions, uma companhia que expressa a “diversidade cultural da América”, com 18 bailarinos. Segundo Dauelsberg, será um espetáculo para toda a família, alegre e com elementos cênicos surpreendentes.

Em agosto, outra companhia americana, a aclamada Momix, voltará ao Rio.

— Serão, no mínimo, dez apresentações, com três programas diferentes. Um deles será “Opus cactus” (encenado aqui em 2002) e outro será “Lunar sea” (montado aqui em 2005). O terceiro ainda não foi escolhido — diz Dauelsberg.

Os dois últimos convidados serão os Trocks, em setembro, e a Cia. Antonio Gades, de dança flamenca, em outubro.

— Os Trocks têm uma técnica impecável e a usam para fazer humor com o balé clássico. Mas é um humor inteligente, e não grosso — comenta o executivo da Dell’Arte, frisando que todas as datas no Rio dependem de aprovação do novo diretor do Teatro Municipal.

No cenário nacional também haverá novidades. O Grupo Corpo, de Belo Horizonte, estreará em agosto, em São Paulo, um novo espetáculo, que abordará a competição por espaços. A trilha-sonora é de Lenine, que chamou Igor Cavalera (ex-Sepultura) para tocar bateria. Depois de duas semanas em Sampa, o grupo, que tem 20 bailarinos, virá para o Municipal do Rio, onde ficará em cartaz durante pelo menos uma semana.

Antes disso, a coreógrafa Dani Lima concluirá a trilogia “Vida real em três capítulos” com uma instalação multimídia chamada “Eu é um outro” e, ainda no primeiro semestre, mostrará, no Rio, os três capítulos juntos. Regina Miranda já está ensaiando um trio com o ator Edilson Botelho e a bailarina Marina Salomon.

O espetáculo, ainda sem título, baseia-se na peça “Love letters”, de A.R. Gurney. O tema é a correspondência de dois amigosamantes através do tempo.

Um diretor entre o balé e o carnaval
(Eduardo Fradkin)

O diretor do corpo de baile do Teatro Municipal, Marcelo Misailidis, está com a programação de balés de 2007 pronta, mas ela ainda terá de ser ratificada pelo musicólogo Luiz Paulo Sampaio, que assumirá a direção da casa no ano que vem. Apesar da ressalva, Misailidis, que foi primeiro bailarino do Municipal por 15 anos, não se recusou a divulgar as atrações. Curioso foi o lugar escolhido para a entrevista: um ensaio do Salgueiro. Misailidis é coreógrafo da comissão de frente da escola de samba tijucana.

Para abrir a temporada de 2007, no fim de março, ele planejou uma reprise do clássico “O lago dos cisnes”, com música de Tchaikovsky. O balé foi apresentado em setembro deste ano.

— É um espetáculo que não exigirá investimento, pois será uma remontagem. Além disso, é uma obra importante que não pode sair do repertório do nosso conjunto. Depois desse teremos novidades — observa Misailidis, que tem 38 anos e três Estandartes de Ouro em casa, conquistados em nove anos de trabalho no carnaval.

Entre as novidades, há uma coreografia de George Balanchine, russo que se exilou nos Estados Unidos e lá desenvolveu uma nova forma de dança mesclando uma base arraigada no balé clássico com idéias inovadoras e muita velocidade.

Também será encenada uma coreografia do americano Jerome Robbins, que colaborou em musicais famosos como “West Side story”, “O rei e eu” e “Um violinista no telhado”.

Em seguida, os cariocas verão “A sagração da primavera”, balé revolucionário de Stravinsky, que motivou vaias e tumulto na sua estréia parisiense, mas com o tempo se tornou um clássico moderno.

Depois, será encenada uma coreografia de Roland Petit, que já foi definido como criador de espetáculos que misturam tragédia e champanhe, sendo uma síntese do povo francês. Misailidis ainda não escolheu uma obra desse coreógrafo, mas está inclinado para “Notre-Dame de Paris”. Para fechar a temporada, a escolha foi a mais previsível possível: “O quebra-nozes”.

A atuação de Misailidis à frente do corpo de baile não se restringe a montar uma programação e ensaiar o grupo. Neste ano, ele iniciou um projeto de workshops para capacitar os bailarinos com noções de direção, iluminação e outras funções técnicas. Ele anuncia que o projeto continuará em 2007. Além dos workshops, foi formada uma turma de bailarinos (voluntários) para fazer um curso de licenciatura em dança na UniverCidade, com bolsa de estudos.

— Quero propiciar também viagens do corpo de baile para outros estados. Para isso, estou tentando parcerias com companhias de São Paulo, Belo Horizonte e Salvador. Elas viriam se apresentar no Municipal do Rio e nós iríamos para os palcos deles — planeja Misailidis.

Rio, RJ – Programa de Rádio

O Jornal da Dança (RJ) anuncia a estréia, que ocorreu no dia 23 de dezembro de 2006, do programa de rádio “Platéia”, apresentado por Edézio Paz na Rádio Metropolitana AM (1090 MHz). Mais detalhes na versão (em PDF) da edição mais recente do jornal, clicando aqui.

Rio, RJ – Academia do Tap 2007

A Academia do Tap, única exclusivamente dedicada ao sapateado no Rio de Janeiro, larga na frente e anuncia seus horários para o ano letivo de 2007. Veja no site oficial da academia, clicando aqui.

Rio, RJ – Off-Tap – Retrospectiva O Globo

A capa do Segundo Caderno de hoje em O Globo não inclui sapateado mas traz um panorama dos destaques da dança contemporânea e de ballet clássico que rolou no Rio em 2006. Segue reprodução do texto dos escolhidos por Silvia Soter e pela equipe do Segundo Caderno do jornal:

– DAQUI PRA FRENTE: Na fronteira entre dança, teatro e literatura, “Daqui pra frente” se inspirou na poesia concreta para aliar de forma inteligente criatividade, rigor, leveza e humor. Márcia Rubin, acompanhada pelos atores Oscar Saraiva e Cezar Augusto, mostrou em cena sua maturidade também como intérprete.

– O LAGO DOS CISNES: Cerca de 25 mil pessoas assistiram à remontagem deste clássico, assinada pela russa Yelena Pankova para o Balé do Teatro Municipal. Foi um espetáculo com muito mais acertos do que deslizes e mostrou mais uma vez o brilho de Cecília Kerche e de Vitor Luiz.

– TERRITÓRIOS: A potente comunidade criada nesta peça de Esther Weitzman para oito homens, bailarinos de gerações e trajetórias diversas, era feita das diferenças. A imagem do masculino era tecida pelo equilíbrio entre força e delicadeza; entre o singular e o comum.

– PORTAL DAS MÃOS: Partindo da ligação entre os dedos de suas mãos, Michel Groisman desenvolveu uma coreografia, apresentada no Panorama de Dança, que surpreendia pela sofisticação e pela riqueza de possibilidades, que surgiam ampliadas aos olhos do espectador.

– TEMPO LÍQUIDO: Sem abandonar o legado de sua experiência na Staccato, companhia que fundou com Paulo Caldas, Maria Alice Poppe inaugurou nesta boa peça de Mauricio de Oliveira, mostrada nos Solos de Dança do Sesc, uma outra etapa como intérprete.

– I AM HERE: João Fiadeiro visitou o universo da artista Helena Almeida em “I am here”, coreografia apresentada no Panorama de Dança. No diálogo entre artes visuais e dança, o artista português imprimiu em diferentes suportes os rastros deixados pelo seu corpo, parado ou em movimento.

– EXTRACORPO: Nesta peça, que estreou em setembro, na Biennale de la Danse, em Lyon, e em novembro fez temporada no Espaço Sesc, em Copacabana, João Saldanha visitou a obra de Oscar Niemeyer. Ele experimenta devolver ao corpo humano as curvas orgânicas que o arquiteto dele extraiu e experimentou no concreto que usa em suas construções. As linhas sinuosas, precisas e simples, marcas do arquiteto, ganharam uma bonita correspondência na dança rigorosa e repleta de silêncios deste coreógrafo. Ao mergulhar no universo de Niemeyer, Saldanha rendeu ao importante arquiteto uma merecida homenagem e criou para si novas e promissoras possibilidades de investigação.

– DÍNAMO :Deborah Colker mais uma vez levou uma multidão ao Teatro João Caetano, onde, este ano, apresentou uma coreografia feita sob encomenda para a Copa do Mundo da Alemanha: “Futebol”, a nova peça, compôs com “Velox” um espetáculo de grande vigor físico.

– TERCEIRA MARGEM: A força da peça de Renato Vieira é entender o rio descrito no conto de Guimarães Rosa “A terceira margem do Rio” como um entre-lugar, espaço sempre em movimento. Sem cair no narrativo, o coreógrafo transformou este rio num estado da própria dança.

– VIDA REAL/ MANUAL DE INSTRUÇÕES:No segundo capítulo da trilogia, Dani Lima retomou algumas de suas questões-chaves. Desta vez, a identidade construída a partir do olhar do outro saiu da experiência individual do primeiro capítulo (quando o espectador ficava a sós com um bailarino) e se tornou coletiva.

Rio, RJ – Off-Tap – Contemporâneo – Audição

Tap Fotos – Maestros do Tap

Dança de Diversos Tipos na TV

No link, um matéria do site de televisão do UOL sobre as diversas versões de programas de TV que utilizaram dança em busca da audiência este ano: clique aqui.

Feliz Natal

Na Véspera

Deixei para colocar votos mais caprichados num post especial na virada do ano (cuja mensagem os assinantes receberam por email durante a semana), mas desde já deixo – e repito – a todos meus desejos de Boas Festas e muito amor nos corações.

Feliz Natal.

Texto – Cantar e Dançar Mais

Um texto de 11 de dezembro de 2006 do escritor Alcione Araújo, que também saiu em O Globo nas páginas de Opinião no último dia 22:

Iguais na Diferença
(Alcione Araújo)

Ontem, 10 de dezembro, comemorou-se os 58 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos — documento que, pelo seu significado civilizatório, todo habitante do planeta deveria saber de cor os seus 30 sábios capítulos, e toda autoridade pública deveria recitá-los todo dia, de joelhos, ao crepúsculo. Embora o Brasil seja signatário, a Declaração é pouco conhecida entre nós, e a data tem discreta repercussão — por razões que a história explica: as mesmas da indiferença. Instado por amigos artistas, intelectuais, produtores culturais e representantes da sociedade civil, estive Curador da comemoração deste ano — que incluiu eventos em aglomerados, presídios, quartéis, praças, culminando, num grande show com expoentes da música brasileira. A oportunidade, a forma de comemorar e o dever da função me levam a comentar o tema que, embora universal, requer tratamento e abordagem nacionais, adequados à cultura de cada povo.

Devemos festejar não a plenitude dos Direitos Humanos — estamos ainda longe disso, embora, convenhamos, avançamos alguma coisa. Para um povo alegre e otimista um pequeno avanço mantém acesa a esperança: e todo ungido pela esperança merece celebrar cantando e dançando. Tristeza não assegura a vitória; pode-se lutar com alegria. Ao menos, a gente se diverte.

Todo homem e toda mulher tem direito à liberdade de reunião e associação pacíficas, diz um capítulo da Declaração. Usando este direito alguns de nós caminhamos e cantamos braço a braço nas passeatas contra a ditadura militar — a ditadura finou-se. Outros, ombro a ombro, ficaram roucos exigindo Diretas já — a democracia chegou. Tantos de nós, de cara pintada, cantamos e dançamos exigindo o impeachment — o presidente caiu. Vários de nós cantaram e dançaram ao lado do Betinho contra a fome, a miséria e pela vida — hoje é programa de governo. Avançamos, sim! Devagar e não muito, mas avançamos. Avançamos no combate ao trabalho escravo, às diversas formas de discriminação: racial, sexual, dos portadores de necessidades especiais. No combate à violência doméstica, na defesa da criança, do adolescente e do idoso, no direito dos homossexuais. Mas ainda é pouco. A gente precisa cantar e dançar mais.

É o que deveríamos fazer todo dia 10 de dezembro — com tantos Direitos Humanos a serem exercidos, um dia não basta; deveríamos criar a Semana dos Direitos Humanos, para envolver crianças, adolescentes, escolas, universidades, mídia — a Semana da Pátria e do Índio contribuíram para a mudança de atitude — e, no último dia, cantaríamos e dançaríamos pela plenitude dos Direitos Humanos. Pelo reconhecimento da igualdade essencial de todo ser humano em sua dignidade de pessoa, fonte de todos os valores, independente das diferenças de raça, cor, sexo, idioma, religião, opinião, origem nacional ou social, riqueza, nascimento ou qualquer outra condição. Cada um é único, e somos diferentes. Mas temos os mesmos direitos: iguais na diferença.

A Declaração é Universal, propõe-se acima de nações, governos, partidos políticos, sistemas econômicos. Para além de ideologias e hegemonias, os Direitos Humanos despontam como bandeira de luta do século 21, como direito do indivíduo e do cidadão. É a nova utopia — desgastadas as antigas e atuais –, que faltava à construção do futuro, capaz de nutrir sonhos e criar horizontes. E nesta luta a cultura tem papel decisivo.

É fundamental que os direitos do homem e da mulher sejam assegurados por lei — as leis existem no Brasil e, diga-se, as autoridades fazem o possível para difundi-las, embora o possível fique devendo ao necessário. E a lei só pune depois de violado o direito, confiando que a punição inibe novas violações. O problema é que a lei não é cumprida. Os cidadãos e cidadãs de um país livre, em pleno estado de direito, devem exigir, de todas as maneiras, que a lei seja cumprida. Mas apenas a lei não basta.

Não sabemos conviver com a diferença — na nossa índole autoritária, dissimulada por interesses e necessidades, quem não é como eu, é pior do que eu. É urgente a educação em Direitos Humanos para entendermos que violação, desrespeito e desprezo vêem de preconceitos ocultos lá onde só a emoção pode tocar — o preconceituoso nem sempre sabe que o é; e, se sabe, jamais confessa. A arte tem o poder de abrir os canais da sensibilidade e, agindo na subjetividade, induzir à mudança de atitude. Entregar-se à música e à dança, rompe a armadura e baixa a guarda, deixando que a emoção dilua os preconceitos. Para sermos iguais na diferença, precisamos cantar e dançar mais.

(Alcione Araújo, 11 de dezembro de 2006)

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