Mais Sweet Charity

Por falar em “Sweet Charity”, abaixo vai o elogioso texto da crítica teatral Barbara Heliodora publicado em O Globo de 27.04.2007:

A dança é a estrela na encenação exemplar do musical de Neil Simon

Sweet Charity: Montagem em cartaz no Vivo Rio comprova a maturidade do gênero no Brasil

TEATRO – CRÍTICA – Barbara Heliodora

A montagem de “Sweet Charity”, em cartaz no Vivo Rio, precisa ser comemorada, acima de tudo, como prova da maturidade do teatro brasileiro na área dos musicais, pois é fácil esquecer o quanto um espetáculo com essas exigências ficava além de nossa capacidade ainda há relativamente pouco tempo; enquanto tão gratificante ou até mais é o número e o nível de execução em canto e dança, igualmente recente.

É mais do que sabido que o texto do musical é (remotamente) baseado em “Noites de Cabíria”. Mas, como Neil Simon não é Fellini, o tom do todo fica completamente alterado, e com a música de Cy Coleman e Dorothy Fields o resultado é o de um típico roteiro de musical americano, tudo isso coroado pela fantástica coreografia de Bob Fosse. E é para este conjunto que Claudio Botelho faz (mais uma vez) uma tradução exemplar, na qual as letras sempre cabem corretamente nas músicas.

Recriação impecável da coreografia de Bob Fosse

“Sweet Charity” tem um título tão marcante quanto intraduzível, já que “Caridade” não é nome usado em áreas lusófonas — uma pena, porque o jogo com o nome da protagonista é significativo. O musical já tem 41 anos e na realidade fica um tanto datado, tanto na ingenuidade de sua trama (que perdeu a profundidade do original italiano) quanto por suas referências ao colorido período hippie.

A montagem brasileira é exemplar, com os bons cenários de Marcelo Larrea e Chris Aizner muito bem executados, e os ótimos figurinos de Emilia Duncan e Marcelo Lopes, tudo muito bem iluminado por Wagner Freire. A direção musical é de Miguel Briamonte (executada por ótimo conjunto regido por Carlos Bauzys), tudo com a surpervisão de Claudio Botelho.

E impecável é a recriação de Alonso Barros para a coreografia de Bob Fosse, que inclui um alegre momento de samba no pé. A direção-geral é de Charles Möller, que equilibra a modéstia dos diálogos falados com a exuberância da dança e cria bem o universo das “dançarinas de aluguel”.

Claudia Raia explora suas qualidades de dançarina

“Sweet Charity” é a realização de um sonho acalentado durante anos por Claudia Raia, que compensa com uma dose de humor autocrítico o conflito entre seu físico e o personagem, por quem ela obviamente tem imenso carinho, e tem oportunidade para explorar ao máximo suas altas qualidades de dançarina. Marcelo Médici é um Oscar Lindquist simpático; Ricca Barros está adequadamente vaidoso como Vittorio; Marcelo Pereira, corretamente mau caráter; e Edson Montenegro defende seu Daddy. Katia Barros e Renata Villela estão muito bem como Nickie e Helene, mas é indispensável dizer que Bruno Kimura, Carol Mariottini, Ciça Simões, Daniel Nunes, Estela Ribeiro, Floriano Nogueira, Hélcio Mattos, Keila Fuke, Klenio Casarini, Liana Melo, Luciana Bollina, Luiz Pacini, Paula Gelly, Priscila Sanches, Renato Bellini, Rodrigo Vicente, Thiago Jansen e Vanessa Costa são, junto com Claudia Raia, responsáveis pelo melhor de “Sweet Charity”, que são os grandes números de dança, impecável e brilhantemente executados.

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