Rio, RJ – Off-Tap – Dançar É…

O texto abaixo é do Diário da Tarde de hoje, 09.05.2007, sobre o espetáculo “Dançar É…” apresentado em Niterói, RJ, hoje e amanhã.

Espetáculo de dança une gerações
Diário da Tarde – 09/05/07

Duas grandes estrelas da dança clássica mundial, as primeiras bailarinas do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Ana Botafogo e Cecília Kerche, dançam hoje com novos talentos do balé em Niterói, no Teatro Municipal. São novos talentos premiados em concursos internacionais no Brasil e no exterior. O espetáculo Dançar é… tem direção de Edézio Paz (ex-bailarino, criador do Jornal da dança, do programa Platéia na Rádio Metropolitana, entre outros projetos) e produção de Rakel Lima.

A coisa mais emocionante criada pelo animal humano é a dança. Será que todos sabem como surgiu a dança? A dança manifestou-se inicialmente por atos espontâneos, mímicas instintivas, depois por gestos, movimentos e passos. Isso quando os seres humanos viviam em cavernas, ainda não falavam (pois a glote ainda não era desenvolvida) e tentavam se comunicar. E a dança foi a mais fantástica forma de comunicação. Dançar era, ao mesmo tempo, viver, transcender o cotidiano, iniciar-se nos mistérios da vida, da morte, da fertilidade.

Milhares, muitos milhares de anos depois, a dança enriqueceu-se de fórmulas, de construções que se tornaram passos tão numerosos quanto às palavras, encadeando-se, traduzindo situações, estados de alma. Utilizando as palavras, depois as batidas de mãos e de pés como acompanhamento, a dança incorporou, em seguida, a música. E como as outras modalidades da arte, a dança nasceu com o povo nas ruas. Mas, infelizmente, os poderosos ficaram com inveja e levaram a arte e suas modalidades para salas fechadas, cobrando ingressos. E o povo então ficou sem-nada. Por isso sonho com um projeto para os sem-nada que é devolver a arte para o povo. Sei que um dia vou conseguir realizar tal sonho.

Dançar é…, o espetáculo de dança desta noite, em Niterói, vai reunir a experiência maravilhosa da primeira bailarina do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Ana Botafogo, dançando Isadora ao som de um piano ao vivo tocado por Itajara (pianista do Municipal do Rio). O Dançar é… será um encontro histórico entre Ana Botafogo e a também primeira bailarina do Theatro Municipal Cecília Kerche, que vai dançar o solo clássico Raimunda. As duas grandes estrelas de nosso balé, sem dúvida, vão hipnotizar a platéia em Niterói.

E tem mais espetáculo: a Spoudaios Cia de Dança de Niterói vai mostrar o mais novo trabalho coreográfico do grupo, Ronco dos motores, de Fernando Azevedo, passando por Falcão Cia da Dança, uma das companhias mais premiadas da cidade de Niterói, com direção de Simone Falcão. Ainda tem a participação de Myriam Camargo Cia de Dança, que apresentará Ninfas, coreografia de Myriam Camargo.

O público certamente vai delirar a cada momento do espetáculo no Teatro Municipal de Niterói e, especialmente, com os novos bailarinos premiados, como Bárbara Mesquita (medalha de ouro em Córdoba em 2003) dançando no palco uma variação do Pás classique; Raísa Rodrigues (medalha de ouro em Córdoba em 2004), que vai dançar o Último tango, do coreógrafo João Paulo Felipe; Irlan dos Santos (primeiro lugar na seletiva para o Youth América Grand Prix de New York em 2005 e melhor bailarino do Festival de Dança de Joinville em 2006); Carolina Neves (que conquistou o 1º, lugar no Festival de Dança de Joinville em 2006 e conquistou o 1º lugar na Seletiva Brasileira do Youth América Grand Prix 2007. Então, com maravilhosos bailarinos, a noite de hoje em Niterói será o máximo. Não podemos perder tal espetáculo.

E pensar que a dança está inserida em nosso corpo, nossa mente desde o princípio da humanidade. As pessoas precisam voltar a dançar nas ruas. Por que não? Não existe arte mais comunicativa que a dança. Quando estamos dançando, os problemas, as inquietações e dúvidas desaparecem como por encanto. Há uns 10 anos, na década de 1990, aqui na Tijuca, na sua praça principal, a Saenz Peña (nome de um estadista argentino, não entendemos porque…..), eram apresentados espetáculos de teatro, música e dança toda semana. Havia também artistas plásticos pintando e desenhando o povo que por ali passava. Todo mundo delirava demais e nas apresentações de dança, alguns chegavam a imitar os passos dos bailarinos. Se a dança chegasse nas praças das inúmeras comunidades desta cidade, quem sabe poderiam surgir excelentes bailarinos? Eles poderiam desvendar os caminhos para uma nova profissão mais abrangente, mais sedutora e com a possibilidade de elevação de posição social.

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