Rio, RJ – Off-Tap – Grupo Corpo no Municipal

Reportagem de Zean Bravo no jornal O Dia de 14.08.2007:

Grupo de dança estréia espetáculo, com música de Lenine e violência como tema

Lenine recebeu carta branca do coreógrafo Rodrigo Pederneiras para compor o tema do novo espetáculo do Grupo Corpo. O trabalho do cantor e compositor pernambucano acabou por sugerir a violência como o tema da coreografia de ‘Breu’, que estréia amanhã [quarta] no Teatro Municipal depois de uma temporada em São Paulo. “A violência estava implícita na música e seguimos esse caminho. A trilha ficou maravilhosa, parece que tem texturas. Fui para um lado que nunca havia pisado”, explica Pederneiras.

Usando malhas nas cores preta e branca, com estampas de grafismos, os bailarinos começam o espetáculo inertes no chão, com seus corpos estendidos. “Falo sobre disputa, de embate, de passar por cima do outro. Tudo começa num clima meio terra devastada. Eles estão uns sobre os outros, com uma respiração profunda, mas aparentam um monte de cadáveres”, compara o coreógrafo, que botou os bailarinos para se confrontar em cena.

Para falar da violência dos grande centros, o coreógrafo quis imprimir um clima soturno também no figurino assinado por Freusa Zechmeister. “As malhas parecem couro. Já o cenário, criado pelo Paulo (Pederneiras) simula um paredão azulejado, na cor negra, o que criou um peso”, define.

Pederneiras conta que os bailarinos também contribuíram com a coreografia, conferindo um peso maior ao espetáculo do grupo mineiro. Eles executam movimentos bruscos de queda que contrastam com as subidas. “Durante o trabalho eles se envolveram com muito vigor, muita energia”, diz.

Com 40 minutos de duração, ‘Breu’ é apresentado em programa duplo. O espetáculo é seguido de ‘Sete ou Oito Peças Para um Ballet’, criado em 1994 e fora dos palcos desde 1999. Este último tem trilha assinada por Philip Glass e o grupo instrumental mineiro Uakti.

Apesar do tema espinhoso, Rodrigo Pederneiras garante que o público não sairá para baixo do teatro após ‘Breu’. “O espetáculo é pesado, mas ao mesmo tempo é de uma beleza muito grande. Quando você vai falar de violência pensa numa coisa suja e feia. Quis abordar o assunto de outra forma”, Rodrigo Pederneiras, antes de completar: “A gente sai do espetáculo com certa angústia, mas sai bem.”

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