Archive for 19 de maio de 2008

Campinas, SP – Jam Sesssion

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Na TV – Off-Tap – Ivaldo Bertazzo no Roda Viva

Da Folha Online em 19.05.2008:

O coreógrafo Ivaldo Bertazzo, 58, é o entrevistado desta segunda-feira (19) no “Roda Viva”, que começa às 22h40 na TV Cultura. A mediação será feita pelo apresentador do programa “Metrópolis”, Cunha Jr.

(…) Ele será entrevistado por Márika Gidali, fundadora e diretora da Companhia Ballet Stagium; Ana Francisca Ponzio, jornalista da revista “Bravo!”; Adriana Pavlova, jornalista especializada em dança e colaboradora do caderno Ilustrada da Folha de S.Paulo; Julio Maria, editor do caderno Variedades do “Jornal da Tarde”; Paulo Lima, editor da revista “Trip”; e Hugo Possolo, ator, palhaço, dramaturgo e diretor do grupo Parlapatões e do Circo Roda Brasil.

Leia mais aqui.

Saudades de Jimmy Slyde

Fonte: internet.

Medicina – Off-Tap – Fique Bem Com o Seu Cérebro

Suzana Herculano-Houzel é doutora em neurociências pela Université Paris VI, mestra em Ciências pela Case Western Reserve University, nos EUA e professora-adjunta da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Recentemente, lançou seu quinto livro, “Fique de Bem com Seu Cérebro” (ed. Sextante). Sobre o tema, deu a entrevista abaixo.

(Texto: Kátia Stringueto)

Bons Fluidos – Espiritualidade tem algo a ver com saúde?

Suzana Herculano-Houzel – Cuido da saúde de várias formas. Faço Pilates e sapateado cinco vezes por semana; alterno manter meu cérebro ocupado com questões interessantes e distraí-lo com diversões variadas; cultivo meus relacionamentos com meus filhos, meu marido e amigos com muito carinho e atenção; tento dormir ao menos sete horas
todas as noites; não uso nenhuma droga além de um gole eventual de vinho; e tenho uma alimentação variada, rica em carnes, legumes e verduras. Espiritualidade para mim é um estado de espírito que cultivo acreditando nas pessoas, procurando seu lado bom e desejando sempre fazer o bem, sem nenhuma relação com religião.

BF – Uma boa notícia é que o número de pessoas na terceira idade cujas habilidades mentais são semelhantes às dos jovens é grande o suficiente para que elas não possam mais ser consideradas exceção. Qual a melhor poupança que podemos fazer para, no futuro, quando estivermos com 60 anos, evitarmos o Alzheimer, AVC e a demência?

SHH – Investirmos desde já na saúde do corpo e do cérebro, cuidando muito bem deles, com alimentação saudável, atividade física e mental intensa e variada, boas companhias e atividades prazerosas. Tudo isso também ajuda a evitar os problemas associados ao estresse crônico, que aceleram a deterioração com a idade. O cérebro se mantém cognitivamente saudável quanto mais ele é usado, quanto mais exigimos
que ele funcione a nosso favor.

BF – Você fala do quanto à motivação é fundamental para o bem-estar. Qual é a cenoura na ponta da varinha que pode nos motivar dia a dia?

SHH – Qualquer idéia cuja simples perspectiva de realização já sirva como um prazer antecipado. Pode ser, em um dia, o projeto de ir ao cinema à noite com os amigos; no outro, a perspectiva de completar um trabalho; em outro, a expectativa de comprar um livro ou uma roupa nova, jogar um jogo novo, conhecer pessoas, iniciar um novo projeto. Basta termos expectativas de satisfação à frente. E, claro, praticar exercícios físicos regularmente é uma grande ajuda para manter o sistema de recompensa sensível e aumentar nosso nível geral de motivação.

BF – O estado de ânimo do cérebro se reflete no estado do corpo e vice-versa…

SHH – Quem tem atitudes e pensamentos sempre pessimistas tem mais chance de fazer uma avaliação negativa de sua vida e de sofrer de problemas de saúde associados ao estresse, como resfriados triviais, hipertensão, diabetes e asma. Outras doenças, contudo, não parecem ser relacionadas ao temperamento ou estado de espírito. É injusto, por exemplo, acreditar que um câncer é resultado de pessimismo: até onde se sabe, não há nenhuma relação, e mesmo a mais otimista das pessoas pode sofrer de câncer e outras doenças – embora ela talvez lide com a doença de uma maneira mais tranqüila do que quem é cronicamente pessimista.

BF – Você tem site, escreve livros, dá aula e faz pesquisa. Tudo te dá prazer?

SHH – Além de cuidar da minha família, todas essas coisas me dão de fato um prazer enorme. Elas são relacionadas: adoro aprender, e aprendo muito quando faço pesquisa e preparo aulas e textos para transmitir conhecimentos da neurociência. Gosto de aprender com o que não sabemos, e todas essas coisas me mantém a cabeça sempre cheia de perguntas interessantes que merecem que se busque uma resposta. Minha maior motivação para me manter feliz, no entanto, é assim poder fazer felizes meus filhos e meu marido.

BF – Fala-se muito da ingestão de ômega 3 para melhorar a memória. O que você acha? Tomaria esse suplemento?

SHH – Não conheço nenhum estudo convincente a respeito. De qualquer forma, suplementos de ômega 3, vitaminas e minerais são desnecessários para quem tem uma alimentação variada. Como tudo o que excede as necessidades do corpo é simplesmente descartado na urina e ainda tem a possibilidade de sobrecarregar os rins, prefiro contar apenas com o que vem na alimentação.

BF – O Dr. Drauzio Varella não vê com bons olhos a associação do estado de ânimo com o aparecimento de doenças. Para ele é uma culpa a mais atribuída ao doente. Em que isso mina a teoria do pensamento positivo como um elixir da saúde?

SHH – Livros como O Segredo, que propõem o pensamento positivo como a solução para todos os problemas, são extremamente injustos com seus leitores. Primeiro, porque pensar positivo é ótimo para nos levar a ter atitudes positivas, mas não é suficiente para trazer felicidade: coisas boas nos acontecem quando “agimos” nesse sentido e “fazemos” com que elas aconteçam. Não basta pensar positivo, é preciso agir positivo. E segundo, porque acontecimentos ruins, como doenças, passam a ser automaticamente atribuídos à ausência de pensamentos positivos, o que é um erro grave de lógica. Por mais que o otimismo possa ajudar a manter à distância problemas de saúde associados ao estresse, não são os pensamentos de ninguém que causam câncer ou pneumonia. É maldoso e injusto atribuir aos pensamentos de uma pessoa a culpa por essas doenças, e é vil lhe dizer que basta “pensar positivo” para se curar. O otimismo pode nos trazer conforto e nos ajudar a buscar tratamento, mas o que trata as doenças que o corpo não consegue debelar sozinho são ações positivas da medicina.

BF – Hoje se sabe que os neurônios são células que também se renovam. Isso mudou em quê a compreensão do cérebro e seu funcionamento? Até que ponto?

SHH – Hoje sabemos que ganhamos neurônios novos ao longo de toda a vida em algumas estruturas específicas do cérebro. Isso não significa que o cérebro possa se recuperar; quando perdemos neurônios devido a uma lesão, o tecido morto não se regenera. Ainda assim, a descoberta dos neurônios novos acrescentados ao longo da vida ao hipocampo teve uma série de impactos importantíssimos para a compreensão da regulação da resposta ao estresse, dos mecanismos do aprendizado, dos transtornos de humor e da ação de remédios como os ansiolíticos e antidepressivos.

BF – A vida é muito curta para…

SHH -… se preocupar com o que não vale a pena e deixar para tratarmos com carinho amanhã as pessoas de que gostamos hoje.

(Fonte: Revista Bons Fluidos)

Campinas, SP – Jam Session

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