Rio, RJ – Off-Tap – Estréia de A Noviça Rebelde

Reportagem de Giovani Lettiere sobre a estréia de “A Noviça Rebelde” no Rio publicada no Globo Online em 20.05.2008:

RIO – Depois de quatro anos fechado para obras, foi reaberto nesta terça-feira à noite no Leblon o Teatro Oi Casa Grande que, além do acréscimo do nome do principal patrocinador, volta totalmente repaginado com o que há de melhor em tecnologia. Palco de grandes espetáculos em 42 anos de história, a reinauguração do teatro reuniu uma pequena parte da classe artística nacional para assistir à estréia do musical “A noviça rebelde”, que leva a assinatura da dupla Charles Möeller e Claudio Botelho e tem orçamento de quase R$ 10 milhões. Confira, a seguir, quem passou e os principais agitos do tapete vermelho da festa.

O ator Ney Latorraca foi um dos primeiros a chegar para a reinauguração. Animadíssimo, ele fez questão de posar ao lado de fotos de espetáculos encenados por ele no Casa Grande, como “A Mandrágora”, com Dina Sfat, em 1975, e “Irma Vap”, com Marco Nanini, em 1986.

– Estou maluquinho, igual a criança mesmo. Aqui é a minha casa. Adorei o novo espaço. Fiquem à vontade – deu as boas-vindas o veterano ator. Ney pretende voltar ao teatro em 2009, já que está lendo uma peça que faria ao lado de Marília Pêra e outra sob direção de Jô Soares. – Acabei de gravar “Casos e acasos” e renovei meu contrato com a Globo até 2013 – acrescentou Ney, feliz com a volta do Casa Grande.

Diretor do musical, Claudio Botelho tentava disfarçar o nervosismo.

– É muita adrenalina. Vou tomar um Rivotril daqui a pouco. Se a gente não ficar nervoso não tem graça – comentou Claudio. Ele teve uma prévia na segunda-feira da recepção do público com uma pré-estréia para convidados. – As pessoas amaram. Hoje foram feitos pequenos ajustes técnicos – explicou ele pouco antes da estréia oficial, também para convidados (para o público em geral acontece na quinta-feira).

Seu parceiro na empreitada de montar o musical “A noviça rebelde”, Charles Möeller se dizia calmo, ao contrário de Claudio.

– Eu estou bem, calmo mesmo. Um é o policial bom e outro é o mau. Acho que todo mundo vai gostar. Estudamos e nos preparamos muito para esse espetáculo, e agora é a hora de soltar o filho no mundo. Estou muito confiante – comentou Charles.

E a dupla não pára. Charles explicou que eles já estão na pré-produção do musical “Avenue Q”, para ainda este ano, no Rio.

– É bem pequeno. Este espetáculo chegou a ganhar o Tony. É uma rua onde só mora fracassados. É de humor negro – adianta.

E não sobra tempo para descansar?

– Não estou na TV, não tenho contrato com emissora. Vivo do teatro musical. Ele paga as minhas contas. Sou um ser do teatro – desabafou.

Estrela em ascensão, Alessandra Maestrini – de “Toma lá, dá cá” – lembrou-se da última montagem que assistira no Casa Grande: “Nardja Zulpério”, monólogo de Regina Casé, em 1989.

– O teatro está completamente diferente. Já gostei desde o carpete colorido – revelou a atriz. Com 10 anos de musicais no currículo, Alessandra deve voltar a encenar “Sete” no segundo semestre, em São Paulo, e tem um projeto com Miguel Falabella. – O Miguel quer escrever um musical para eu cantar ópera. Comecei cantando a atuando. Sou cantora e atriz. Canto tudo. Sou uma “crossover singer”, não uma cantora que se veste do sexo oposto, mas vou em todos os estilos – brincou Maestrini.

Ela acaba de gravar um CD de bossa nova eletrônica, batizado de “Drama & Jazz”, ao lado de Alexandre Elias.

– Agora é assim, né? Primeiro a gente grava e depois corre atrás de uma gravadora. Mostramos para o Nelson Motta e ele adorou. Já colocou para tocar em seus programas de rádio e rasgou mil elogios – comemora a atriz.

De repente, um alvoroço daqueles no foyer. É Márcio Garcia, recém-saído da Record, quem chega ao Casa Grande. Logo é cercado pela imprensa, ávida por uma declaração que confirme sua volta à TV Globo depois de quatro anos.

– É surpresa. Não posso falar nada ainda. Estou no ócio criativo, de férias. Meu contrato com a Record só termina em julho. Ainda falta um pouco, mas boas notícias virão por aí – atiçou o ator e apresentador, ao lado da mulher, Andréa Santa Rosa, grávida do terceiro filho dele, que virá ao mundo em dezembro.

E foi uma gravidez planejada?, perguntaram ao galã.

– Foi um acidente programado. Deixei correr solto – brincou Márcio, que ainda não sabe o sexo do bebê. – Como já tenho um casal, Pedro e Nina, o que vier será bem-vindo. Só peço que venha com saúde – explicou Márcio.

O apresentador comentou o desempenho de seu substituto no comando do “O melhor do Brasil”, Rodrigo Faro, que está aprovado.

– Aprovo o Rodrigo. Ele é muito bom, tem talento para a apresentação – ponderou Márcio.

Com os workshops da próxima novela das sete, “Três irmãs”, começando nesta quarta-feira, comenta-se que será praticamente impossível que Márcio integre o elenco da trama de Antonio Calmon, como chegou a ser cogitado.

E você vai ficar com a faixa horária da primeira parte do “Domingão do Faustão”, que só ficará a partir do 2º semestre apenas depois da partida de futebol?, perguntei ao galã.

– Quem sabe? Ia adorar – devolveu Márcio Garcia.

Para bom entendedor…

A atriz Júlia Lemmertz chegou ao novo Casa Grande sozinha, sem o marido, Alexandre Borges. A atriz tem boas recordações do lugar, apesar de nunca ter subido em seu palco.

– Assisti aqui a grandes montagens, como “Irma Vap” e “Woyzeck”, com o Matheus Nachtergaele. Vinha muito quando era adolescente também, com a minha mãe, Lilian Lemmertz, e nem pensava em ser atriz ainda – explicou Júlia.

Ela também estava ansiosa para ver o clássico “A noviça rebelde” no teatro.

Quem também causou frisson foi o novelista Gilberto Braga. Cercado pela imprensa, todos queriam saber qual será a próxima trama dele.

– Eu não sei ainda. Estou de férias. Não sei se será uma novela ou minissérie – minimizou Gilberto, que escreve minissérie sobre a vida de Tom Jobim, que deve ser encarnado por Fábio Assunção em 2010. Gilberto aproveitou para ressaltar a importância da volta do Casa Grande. – Estou emocionado com a reinauguração deste espaço importante para a cultura do Rio de Janeiro – defendeu Gilberto.

E você tem vontade de escrever uma peça de teatro?, quiseram saber os jornalistas.

– Escrever uma peça de teatro seria hora extra e eu sou muito preguiçoso. Estou contente na TV. Tem muita gente boa escrevendo para teatro – justificou Gilberto, que disse admirar muito o trabalho da dupla Charles Möeller e Claudio Botelho.

Assim que entravam no primeiro foyer, os convidados eram brindados com uma taça de champanhe. Havia ainda, num dos balcões que vendiam souvenirs de “A noviça rebelde”, um pote com balas jujuba. E só. Uma das apresentadoras do “Fantástico”, Renata Ceribelli estava sedenta por um copo d’água. Ficou a ver navios.

– Não tem água não? – chegou a perguntar a jornalista a uma das inúmeras belas moçoilas contratadas pela Oi, que só tinham a lamentar a falta da bebida.

Prestigiaram ainda o espetáculo “A noviça rebelde”, estrelado por Herson Capri (Capitão Von Trapp) e Kiara Sasso (Maria) os atores Silvia Pfeiffer, Juliana Barone, Suely Franco, Márcio Kieling e Edwin Luisi.

A correria foi grande para que a inauguração corresse como manda o figurino. Às 19h15, a menos de duas horas do início do musical, operários ainda acertavam alguns detalhes da fachada e cortavam pedaços do carpete do tapete vermelho. Ah, teve cheiro de tinta também…

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