Joinville, SC – Off-Tap – Jorge Teixeira

Matéria de Edson Burg, do jornal A Notícia, de Santa Catarina:

Uma sapatilha de cada vez

Maior comitiva do festival, o Conservatório Brasileiro de Dança compete diariamente para levar seu projeto adiante

O Conservatório Brasileiro de Dança pode até não alcançar sua meta de ser eleito o melhor grupo do festival, mas sua passagem por Joinville deixou várias marcas. Os dois ônibus fretados do Rio de Janeiro trouxeram 66 bailarinos, a maior comitiva do evento, para 16 trabalhos selecionados na mostra competitiva e no meia-ponta. O resultado surpreende: oito primeiros lugares, cinco vices e duas terceiras posições. Isso tudo para um projeto com menos de dois anos.

Eles foram os “papa-tudo” do balé clássico e chamaram a atenção pela qualidade e rigor dos bailarinos. Ainda assim, o diretor artístico Jorge Texeira mantém a simplicidade e o foco voltado para o futuro, conseqüência das dificuldades diárias para manter a companhia de dança e a escola. Ou “vender o almoço para comprar a janta”, como o próprio define.

Texeira é figura carimbada do Festival de Dança há 17 anos, sempre à frente de grupos ligados aos trabalhos sociais. Em 2006 montou sua própria casa, da qual fazem parte o grupo Ciranda Carioca e a Companhia Brasileira de Balé para profissionais. “O Conservatório é como o pai de todos, o que sustenta esses projetos”, explica. Esse sustento vem dos cachês obtidos em espetáculos, a mensalidade de um pequeno grupo de alunos pagantes, festas para arrecadar verba e até o trabalho de Texeira como coreógrafo da comissão de frente da Escola de Samba Portela.

A vinda para Joinville foi quase uma operação de guerra. O custo da viagem girou em torno de R$ 44 mil, sendo a metade para os cenários e figurinos para coreografia “La Sylphide”. Parte desse valor ainda nem está paga. Agora, pergunte ao diretor se o esforço vale a pena. “É nosso sonho, por isso corremos atrás. É um evento reconhecido internacionalmente, uma bela vitrine. Voltar com prêmios é um selo de qualidade e tem como retorno o interesse de mais alunos”, avalia.

O elenco da Companhia Brasileira de Balé tem algumas estrelinhas. Marcella Paiva, ganhadora do Prix de Lausanne em 2008, o joinvilense Rodrigo Hermesmeyer e o bailarino Gustavo Mendonça encabeçam a lista. O grupo heterogêneo tem ainda 19 crianças vindas de oito estados brasileiros e um menino do Paraguai, todos atraídos pela qualidade e os métodos de ensino de Texeira.

Tanto brilho rendeu alguns importantes frutos. O Conservatório teve 36 candidatos de uma só vez no no Prix de Lausanne, sendo quatro selecionados para a grande final – uma marca inédita. O desempenho garantiu a presença no Festival de Monte Carlo, em 2010, e um intercâmbio com a Beijing Dance Academy, de Pequim. Nessa semana, o professor Xu Ding Zhong esteve em Joinvile para selecionar sete alunos ao Festival de Pequim com todas as despesas pagas. Mais quatro foram escolhidos e correm atrás de patrocínio.

Com tantas vitórias, é fácil saber o porquê do empenho do diretor e dos bailarinos. Quase todos os participantes do Conservatório Brasileiro de Dança sobem novamente ao palco hoje, para a Noite dos Campeões. E, quem sabe, conquistar o esperado prêmio de melhor grupo de todo o Festival.

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