Archive for the ‘O Globo’ Category

Rio, RJ – Homenagem a Flávio Salles

Fonte: caderno Zona Sul do jornal O Globo de 15.12.2011. Leia mais sobre a apresentação no post abaixo:

Rio, RJ – Final de Ano – Academia do Tap

Mídia – O Globo – Martha Medeiros

Texto de Martha Medeiros para a Revista O Globo, publicado em 02.07.2006:

O que a dança ensina
(Martha Medeiros)

Reclamar do tédio é fácil, difícil é levantar da cadeira para fazer alguma coisa que nunca se fez. Pois dia desses aceitei um desafio: fiz uma aula de dança de salão. Roxa de vergonha por ter que enfrentar um professor, um espelho enorme, outros alunos e meu total despreparo. Mas a graça da coisa é esta, reconhecer-se virgem. Com soberba não se aprende nada. Entrei na academia rígida feito um membro da guarda real e saí de lá praticamente uma mulata globeleza.Exageros à parte, a dança sempre me despertou fascínio, tanto que me fez assistir ao filme que está em cartaz com o Antonio Banderas, “Vem dançar”, em que ele interpreta um professor de dança de salão que tenta resgatar a auto-estima de uma turma de alunos rebeldes. Qualquer semelhança com uma dúzia de outros filmes do gênero, inspirados no clássico “Ao mestre com carinho”, não é coincidência, é beber da fonte assumidamente.Excetuando-se os vários momentos clichês da trama, o filme tem o mérito de esclarecer qual é a função didática, digamos assim, da dança. Na verdade, o simples prazer de dançar bastaria para justificar a prática, mas vivemos num mundo onde todos se perguntam o tempo todo “para que serve?”. Para que serve um beijo, para que serve ler, para que serve um pôr-do-sol? É a síndrome da utilidade. Pois bem, dançar tem sim uma serventia. A dança nos ensina a ter confiança, se é que alguém ainda lembra o que é isso.

Hoje ninguém confia, é verbo em desuso. Você não confia em desconhecidos e também em muitos dos seus conhecidos. Não confia que irão lhe ajudar, não confia que irão chegar na hora marcada, não confia seus segredos, não confia seu dinheiro. Dormimos com um olho fechado e o outro aberto, sempre alertas, feito escoteiros. O lobo pode estar a seu lado, vestindo a tal pele de cordeiro.

Então, de repente, o que alguém pede de você? Que diga sim. Que escute atentamente a música. Que apóie seus braços em outro corpo. Que se deixe conduzir. Que não tenha vergonha. Que libere seus movimentos. Que se entregue.

Qualquer um pode dançar sozinho. Aliás, deve. Meia hora por dia, quando ninguém estiver olhando, ocupe a sala, aumente o som e esqueça os vizinhos. Mas dançar com outra pessoa, formar um par, é um ritual que exige uma espécie diferente de sintonia. Olhos nos olhos, acerto de ritmo. Hora de confiar no que o parceiro está propondo, confiar que será possível acompanhá-lo, confiar que não se está sendo ridículo nem submisso, está-se apenas criando uma forma diferente e mágica de convivência. Ouvi uma coisa linda ao sair do cinema: se os casais, hoje, dedicassem um tempinho para dançar juntos, mesmo em casa – ou principalmente em casa – muitas discussões seriam poupadas. É uma espécie de conexão silenciosa, de pacto, um outro jeito de fazer amor.

Dançar é tão bom que nem precisava servir pra nada. Mas serve.

(Martha Medeiros)

Rio, RJ – Off-Tap – Jazz

Reportagem da revista O Globo de 06.07.2008. Clique nas figuras para ver em tamanho maior.

Cyd Charisse, por Artur Xexéo

Fonte: Revista O Globo, 22.06.2008. Clique na figura para abrir em tamanho maior.

Reportagem da Revista O Globo

Reportagem da Revista O Globo de 08.06.2008 com o título “Se ele dança, eu danço” , sobre Matt Harding: “sucesso no Youtube, americano que roda o mundo gravando uma coreografia desajeitada visita o Brasil pela primeira vez”. Clique na figura para ler em tamanho maior.

Rio, RJ – Off-Tap – Coluna de Artur Xexéo

Coluna de Artur Xexéo na Revista O Globo de 04.05.2008 (clique na figura para ver em tamanho maior):

Rio, RJ – Off-Tap – Cultura no Rio

Reportagem de Rodrigo Aör, Jornal do Brasil, hoje, 30.08.2007:

A síndica do Municipal

Adriana Rattes assume Secretaria de Cultura, diz que administração está inchada e defende o teatro, “a menina dos olhos deste país”

O Teatro Municipal é, definitivamente, a estrela da nova secretária estadual de Cultura, a carioca Adriana Rattes, 43 anos, que, ontem, ressaltou seu carinho pela instituição durante sua posse, nos jardins do Palácio Guanabara. Em seus planos estão o saneamento e a reforma da casa para as comemorações do centenário, em 2009. Calcanhar-de-aquiles da gestão de Luiz Paulo Conde, ex-titular da pasta, a administração do teatro quase foi entregue à Prefeitura do Rio na semana passada. Sócia do grupo Estação e uma das organizadoras do Festival do Rio, Adriana faz a seleção de filmes para a mostra Première Brasil, cuja programação de 2007, em setembro, acaba de ser anunciada (leia abaixo).

– O projeto de transferência do teatro ao município está suspenso para que sua real situação seja estudada. Minha prioridade é resolver os problemas emergenciais, como a renovação dos contratos dos bailarinos. Mas, a médio prazo, redefinirei o papel da Secretaria de Cultura – disse Adriana, contando que não estaria tomando posse se não tivesse passado muitas tardes com a mãe no Municipal.

O carinho é recíproco. Durante a cerimônia, da qual participaram o governador Sérgio Cabral, o secretário municipal das Culturas, Ricardo Macieira, e personalidades como o fotógrafo e cineasta Walter Carvalho, o coro do teatro e alguns de seus instrumentistas executaram o Hino Nacional, as Bachianas nº5, de Villa-Lobos, e o tema do filme Cinema Paradiso, de Giuseppe Tornatore. A apresentação, uma iniciativa dos artistas, emocionou a secretária, que foi bailarina na adolescência.

Com um vestido preto até os joelhos e uma echarpe verde, que motivaram elogios do governador (“ela tem um charme doce”), Adriana expôs algumas de suas idéias, como a criação de um tíquete para democratizar o acesso à cultura, a instalação de núcleos de incentivo à arte nas escolas da rede estadual de ensino. Citou também a necessidade de parcerias com a iniciativa privada para a operação dos equipamentos culturais do Estado, a exemplo do que ocorre na Casa de Cultura Laura Alvim, em Ipanema, onde o Estação explora três salas de cinema. Um suposto conflito de interesses devido à sua atuação no grupo Estação foi descartado.

– A empresa não concorrerá a qualquer benefício dado pelo governo no período em que eu estiver na Secretaria – disse. – Os pedidos de incentivo já encaminhados serão cancelados. Mas a parceria na Laura Alvim será mantida, já que é o Estação que paga ao governo. Acho hipócrita a idéia de transferir minhas cotas na empresa a um parente ou “laranja”.

Filha do ex-prefeito de Petrópolis, Paulo Rattes, e da ex-deputada federal Ana Maria Rattes, Adriana foi criada na cidade serrana até o início dos anos 80, quando se mudou para o Rio para cursar a faculdade de Ciências Sociais na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Com amigos cinéfilos, fundou, em 1986, o Cineclube Estação Botafogo, que, mesmo voltado para os chamados filmes de arte, viraria um dos maiores grupos de exibição de cinema do país. A secretária tem dois filhos e é separada.

São Paulo, SP – Off-Tap – Peter Pan

Reportagem da Folha Online em 23.07.2007 sobre a estréia nesta sexta, 27.07.2007, do musical Peter Pan em São Paulo:

Versão brasileira de musical “Peter Pan” estréia na sexta-feira

A história do menino que não queria crescer ganha os palcos do Credicard Hall na próxima sexta-feira (27). O musical “Peter Pan – Todos Podemos Voar” ganha versão brasileira e conta com o ator Leonardo Miggiorin no papel principal. Os ingressos já estão à venda.

Montado originalmente em Buenos Aires, onde esteve em cartaz no ano de 2004, o musical chega ao Brasil. O diretor argentino Ariel del Mastro afirma que o objetivo é dar uma cara brasileira ao espetáculo. “Vamos buscar uma identidade, sob o ponto de vista local, sobretudo na música e coreografia”, explica o diretor.

O musical é baseado na obra do escritor escocês J. M. Barrie, um clássico da literatura infantil. Além da adaptação para o português e seleção de atores brasileiros, o espetáculo tem referências musicais do Brasil.

“Todos os elementos musicais e coreógrafos foram transformados a partir de referências brasileiras, como Olodum, Marcelo D2 e o rap”, afirma Miguel Briamonte, diretor musical da equipe brasileira.

A primeira montagem de “Peter Pan” ou “O menino que não queria crescer” aconteceu em Londres, em 1904, no Duke Of York Theatre. Desde então, tornou-se uma das peças mais apresentadas e adaptadas a partir de um conto infantil.

Peter Pan – Todos Podemos Voar – De 27 de julho a 16 de setembro de 2007 no Credicard Hall (Av. Nações Unidas, 17955, Santo Amaro, SP, (11) 6846-6010). Ingresso: R$ 50 a R$ 150.

Na Mídia – Musicais no Brasil

A exemplo da versão Online, que publicou texto semelhante em 09.07.2007 (veja no post do Divulgando de 10.07.2007), a versão impressa do jornal O Globo trouxe na última quinta, 12.07.2007, uma reportagem de Alessandra Duarte e Suzana Velasco sobre os musicais em São Paulo:

São Paulo, filial da Broadway no Brasil

É para lá que vão as adaptações dos grandes musicais, enquanto, no Rio, os palcos são dos textos nacionais

Teste de elenco para musical em São Paulo: canções de “O fantasma da ópera” ou de “Chicago” na ponta da língua dos atores. Teste de elenco para musical no Rio: repertório de Chico Buarque ou de outra estrela da MPB. A diferença entre o teatro cantado de cariocas e paulistas não fica só nas audições dos espetáculos — enquanto os palcos do Rio são conhecidos por mostrar a música brasileira, como em “Sassaricando”, ou personalidades nacionais, como em “Cauby! Cauby!”, São Paulo está se tornando a filial da Broadway e do West End londrino no Brasil. Além de ter “My fair lady” em cartaz, hoje estréia “Miss Saigon”, nona adaptação de um grande musical na capital paulista, que até o fim do mês verá também “Peter Pan”. Em setembro, chega “Os produtores” e, em 2008, “West Side story”.

Tudo começou com a vinda para o país, no fim dos anos 90, da empresa CIE, responsável por trazer os musicais à la Nova York e Londres para cá. O estabelecimento da unidade brasileira da CIE em São Paulo se uniu ao fato de aquela cidade ter recursos para os altos custos dos musicais de grande porte. Em 2001, a empresa inaugurou uma sala só para esse tipo de espetáculo, o Teatro Abril.

— Por isso a predominância da Broadway lá — diz o diretor e tradutor Claudio Botelho, que estréia no João Caetano, em agosto, o texto inédito “Sete”, com 15 atores. — O Rio, até pela falta de recursos para montagens tão caras, e por não poder cobrar ingressos com preços altos como os que o público paulista paga, teve que ser criativo e fazer musicais inéditos.

Consumindo US$ 12 milhões, o que a faz a peça mais cara para o padrão CIE, “Miss Saigon”, que não deve vir ao Rio, é o nono musical produzido pela empresa e a quinta transposição fiel de espetáculos estrangeiros originais (há casos de adaptações mais livres). Uma das atrizes de “Miss Saigon”, Kiara Sasso fez sucesso vivendo as protagonistas de “A bela e a fera” e “O fantasma da ópera”, além de já ter atuado no Rio com Claudio Botelho e Charles Möeller. Ela compara a interpretação pedida pelos dois mercados:

— Nas adaptações fiéis, o método criativo do ator vai até certo ponto.

— Nas audições das transposições da Broadway, os atores já chegam com a voz preparada para determinadas músicas da peça — completa Claudio Botelho. — Nos testes no Rio, as pessoas cantam é Chico Buarque.

O primeiro musical do baiano Daniel Boaventura foi “Company”, no Rio, em 2001. Mas, quando ele viu que o gênero Broadway ia se fixar em São Paulo, mudou-se para lá, num sinal do mercado de profissionais para musicais que está se criando na cidade. Desde então, Boaventura participou de “A bela e a fera”, “Vitor ou Vitória”, “Chicago” e, agora, “My fair lady”:

— Acho que São Paulo tem uma vantagem sobre o Rio, porque cerca de 20% do público dos musicais são do interior de São Paulo, que é muito rico e ajuda a sustentar o teatro.

A atriz e diretora Stella Miranda dá um exemplo da maior originalidade presente nos musicais cariocas: ela está escrevendo e vai dirigir, em 2008, um musical sobre o músico Tom Waits, no qual viverá o próprio.

— O Rio é a off-Broadway — define Stella, que vive Carlota Joaquina em “Império”, outro texto original. — É bom ter de tudo, mas esses milhões de dólares que São Paulo aplica nos grandes musicais poderiam ser aplicados também em espetáculos com cara de brasileiro.

Dos musicais apresentados em São Paulo pela CIE, só “Sweet Charity” chegou aos palcos cariocas, este ano no Vivo Rio. Fazendo coro com a classe artística, a cantora e atriz Soraya Ravenle diz que o problema no Rio é a falta de teatros equipados para grandes produções.

— Queria ganhar na loteria e reformar o João Caetano. Ele tem tamanho para superproduções, mas está caindo aos pedaços — diz ela, que fez lá o carioquíssimo “Sassaricando”.

Ao João Caetano se junta o Carlos Gomes, outro apontado como ideal para musicais, e agora o Vivo Rio. A estrutura para musicais deve melhorar também com o Casa Grande, com inauguração prevista para janeiro de 2008 com “A noviça rebelde”. Apesar de reformado, o Sesc-Ginástico não tem fosso de orquestra, vital para superproduções.

O fato de “Sassaricando” ter cobrado ingressos a R$ 50 no João Caetano — e lotar — pode abrir um precedente para a prefeitura e o estado, que controlam as salas da Praça Tiradentes, liberarem ingressos mais caros. Ingressos baratos são outro empecilho para a vinda dos musicais.

São Paulo, SP – Off-Tap – Musicais no Brasil

Reportagem de Márcia Abos publicada no Globo Online em 09.07.2007:

São Paulo, Nova York e Londres têm algo em comum: musicais

Musicais de pequeno, médio e grande porte tiveram presença garantida na programação cultural de São Paulo nos últimos cinco anos. Até companhias teatrais de vanguarda, como o Teatro Oficina e o Galpão do Folias, exploram o gênero, que reúne canto, dança, música e teatro e tem atraído cada vez mais público aos teatros paulistanos.

Contabilizando apenas as grandes produções, chega-se a um público de mais de 2 milhões de pessoas em seis anos. Nesta quinta-feira, mais uma superprodução nos moldes de “Les miserables” e “O fantasma da ópera” chega aos palcos da cidade: “Miss Saigon”, adaptação da ópera Madame Butterfly.

A montagem é uma espécie de franquia, ou seja, replica exatamente o que é encenado em outros países, importando tecnologia e até diretores e equipe técnica e reproduzindo cenário, figurinos e efeitos especiais. As diferenças são o idioma e o elenco, que são locais.

Além de “Miss Saigon”, chega no dia 27 deste mês aos palcos da cidade outro mega espetáculo “Peter Pan – Todos podemos voar” (foto acima – divulgação), estrelado pelo ator Leonardo Miggiorin. Em 13 de setembro é a vez de “Os produtores”, com Miguel Falabella, Juliana Paes e Vladimir Brichta. Em 2008, entra em cartaz “West side story”.

– Sempre há em São Paulo um grande musical internacional em cartaz e várias produções nacionais, novos shows pequenos ou médios. O público está gostando, comprando ingressos. E o mais interessante é a variedade no preço dos ingressos, que vai de R$ 10 a R$ 200. Nos Estados Unidos, mesmo as peças off-Broadway são muito caras – diz Fred Hanson, diretor norte-americano, que está no Brasil dirigindo a produção paulistana de Miss Saigon.

O sucesso que o gênero faz na capital paulista se deve, entre outras coisas, à riqueza local, segundo Hanson.

– São Paulo é uma das cidades mais ricas do mundo – completa.

Jorge Takla, que dirige outro grande musical em cartaz na cidade, “My fair lady”, e está testando elenco para sua nova produção, “West side story”, diz que São Paulo é hoje como Nova York e Londres. Mas para chegar a este ponto, foram necessários anos de trabalho.

Desde os anos 60, com Bibi Ferreira, com montagens de “My fair lady”, está sendo criado espaço para musicais. Vieram depois montagens de musicais de Chico Buarque: “Gota d’Água”, “Calabar”, “Ópera do malandro”. A era Collor deu uma freada no processo e a criação de leis de incetivo fiscais iniciou sua retomada.

– Hoje vemos que há o desejo do público e que os artistas são muito mais preparados do que eram a dez anos. A indústria do entretenimento se desenvolveu muito – diz Takla.

Para o diretor, a explicação para o fenômeno é que São Paulo é uma grande metrópole, com 20 milhões de habitantes. E turistas de outras cidades e estados ocupam de 25% a 30% dos lugares nos finais de semana nas salas de espetáculo, assim como acontece no exterior.

– A dramaturgia da TV compete com o teatro. As pessoas querem muito mais do que só teatro falado. Querem música, dança, canto. Os musicais pegam o público pela emoção. As pessoas saem falando que pagariam o dobro, que o que viram é igual a Broadway e minhas encenações são totalmente brasileiras – explica Takla.

Miss Saigon
Estréia: 12 de julho de 2007, no Teatro Abril
Quartas, quintas e sextas às 21h, sábados às 17h e 21h e domingos às 16h e às 20h.
Endereço: Av. Brigadeiro Luís Antônio, 411, Bela Vista, São Paulo.
Ingressos: de R$ 200 a R$ 65. Informações: (11) 6846-6060

Peter Pan – Todos Podemos Voar
Estréia: 27 de julho de 2007, no Credicard Hall SP
Quintas e sextas, às 20h, sábados e domingos, às 11h, às 14h e às 17h.
Endereço: Av. das Nações Unidas 17.955, Vila Almeida, São Paulo.
Ingressos: de R$ 140 a R$ 50. Informações: (11) 6846-6000

My fair lady
Em cartaz até 29 de julho de 2007 no Teatro Alfa
Quinta e sexta, às 21h. Sábado, 17h e 21h. Domingo, 16h e 20h.
Endereço: Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722 – Sto. Amaro.
Ingressos: de R$ 185 a R$ 40. Informações: (11) 5693-4000 / 0300 789-3377

Na TV

Da coluna “Controle Remoto” de O Globo de 06.07.2007:

[O diretor] Ignácio Coqueiro está comandando inúmeros testes para “Dance, dance, dance”, novela musical da Band. Ele quer quatro nomes conhecidos no elenco. Por enquanto, só Juliana Barone está escalada. “Dance, dance, dance” começará a ser gravada em agosto em São Paulo. A pré-produção está em ritmo acelerado para que se consiga cumprir os prazos. A média de idade do elenco será de 20 anos.

Mais informações em breve no site da Band.

Rio, RJ – Off-Tap – Teatro

Crítica de Barbara Heliodora para a versão brasileira de “O Baile”, de Jean-Claude Pinchenat e que virou um clássico no cinema nas mãos do cineasta Ettore Scola.

Momento excepcional de música e teatro

O baile: Harmonia de dança, música, luz, figurinos e cenários faz da montagem dirigida por José Possi Neto no Sesc Ginástico um belo espetáculo

(Barbara Heliodora, O Globo, 22.06.2007)

Agora é a vez de a dança contar sua história sobre o século XX. Camargo acalentou longamente o sonho de ver no palco uma versão brasileira do memorável “Le bal”, original de Jean-Claude Pinchenat, e o que parecia realmente impossível agora foi realizado com um roteiro brasileiro assinado por Valderez Cardoso Gomes. Contar uma história sem palavras, com base em comportamentos e ritmos mais do que em mímica, não era tarefa nada fácil, e não há dúvida de que, fim de fazer ter lugar “O baile”, os preparativos teriam de ser muito cuidados.

Em primeiro lugar seria necessário um local, um salão feito para a dança. Este foi devidamente encontrado, no palco do Teatro Sesc Ginástico, pelas mãos de Helio Eichbauer, que criou um impecável ambiente art déco, um trabalho da mais alta categoria, tão bonito quanto funcional e evocativo, lindamente iluminado por Aurélio de Simoni, onde teria de ser tocado todo um repertório de várias épocas feito para se dançar, sendo entregue a direção musical a Liliane Secco. Não adiantava a música certa ser tocada, é claro, se os dançarinos não invocassem cada década com precisão, e por isso mesmo foi procurada Marília Carneiro, apaixonada por pesquisa de época e com a criatividade correspondente, para popular o salão com autenticidade; mas a dança, como tudo mais, vai mudando com o tempo, e por isso era necessário encontrar um mestre da dança de salão, o que incorporou Carlinhos de Jesus à equipe, com a complexa tarefa de criar coreografias em harmonia com as intenções do diretor.

É difícil, ou impossível, destacar algum quadro, pois tudo é muito bem-feito (mesmo que os atores-dançarinos não sejam cantores) e cada um tenha seu charme especial, com as várias modas provocando ao mesmo tempo o riso e a nostalgia.

Para coordenar, ou orquestrar tudo isso, foi chamado José Possi Neto, que tinha um passado de teatro-dança, e ele criou realmente o universo de “O baile”, no qual os freqüentadores do lugar não só dançam como têm toda a variedade de atividades paralelas (claro que em dimensões teatralizadas) que dão vida ao todo. A direção é precisa, aproveita os tipos apontados no roteiro, distribui ações e dá o espaço adequado para a coreografia, compondo um todo no qual todos têm suas oportunidades, mas permanecem sempre apenas uma parte da estrela do espetáculo, que é o próprio “baile”.

Adriana Nogueira, Alice Borges, Anna Claudiah Vidal, Antonio Negreiros, Beth Lamas, Carlinhos de Jesus, Charles Fernandes, Cláudia Mauro, Cláudio Lins, Cláudio Tovar, Édi Botelho, Édio Nunes, José Paulo Correa, Luciano Quirino, Marcos Acher, Maria Salvadora, Najla Raja, Patrícia Carvelho-Oliveira, Sandra Pêra e Tássia Camargo compõem um elenco de iguais. Sem dúvida há momentos em que alguns são mais iguais que os outros, porém a harmonia do conjunto é que torna “O baile” um espetáculo de excepcional qualidade. Os músicos fazem contribuição relevante para esse momento raro de música e teatro.

Rio, RJ – Off-Tap – Contemporâneo

Reportagem de Silvia Soter sobre a apresentação do Nederlands Dans Theater recentemente no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, publicada neste dia 20.06.2007 no Segundo Caderno de O Globo:

Bailarinos de até 22 anos firmes como veteranos
Nederlands Dans Theater II: Uma das companhias jovens mais impressionantes do mundo no Rio

(Silvia Soter)

Um Teatro Municipal lotado acolheu calorosamente, no último fim de semana, a passagem da Nederlands Dans Theater II pelo Rio de Janeiro. Nesta turnê, o programa de uma das companhias jovens mais impressionantes do mundo tem dois apelos especiais para os brasileiros: uma coreografia de Henrique Rodovalho, diretor da Quasar, e a bela presença da cada dia mais competente carioca Nina Botkay.

“27’52””, de Jiri Kylian — artista que criou a NDT II e dela foi diretor artístico até 1999 –, abriu a noite mostrando que o coreógrafo não se deixou acomodar. Com o rigor e a criatividade de sempre, a peça de Kylian surpreende pela simplicidade e pela contemporaneidade.

A técnica de base clássica da companhia, terreno onde mais de 50 coreografias de Kylian se desenvolveram, colocase de lado para deixar emergir corpos que se movimentam no limite do descontrole, como que movidos de fora e em tensão permanente.

O título da peça joga com a idéia de que aquela quase meia hora de coreografia é fruto de um grande número de horas de trabalho que poderia nem aparecer. Não é o caso aqui. A precisão e a economia da peça são o evidente resultado da experiência de um artista inspirado, que mantém cada um dos bailarinos no limite de suas possibilidades e de seu comprometimento. É interessante ver como o estado de tensão que oscila sem se desmanchar ao longo da peça consegue ser carregado por pessoas tão jovens. Vale lembrar que a NDT II é composta por bailarinos de até 22 anos.

Henrique Rodovalho criou para a NDT II uma peça de exportação, para o bem e para o mal. Se, por um lado, a trilha de bossa nova e a movimentação suingada resultam numa peça agradável e de rápida comunicação com o público, por outro lado “Sob a pele” não voa mais alto. O material humano que teve à sua disposição não conseguiu desviar o coreógrafo de trilhas percorridas anteriormente.

“Spit” reúne extratos de vários trabalhos anteriores de Ohad Naharin, diretor artístico da companhia israelense Batsheva. É interessante ver o vigor e a potência da dança de Naharin em corpos tão jovens.

O caráter coletivo de algumas das coreografias ganha neles um sabor especial. Mais uma vez, impressiona o engajamento dos bailarinos, que conseguem ir fundo em cada uma das propostas apresentadas. No entanto, é provável que “Spit” funcionasse melhor como um pot-pourri mais assumido. A tentativa de costura entre um extrato e outro enfraquece o todo. Ainda mais quando fecha uma noite que foi inaugurada pela escrita genial de Jiri Kylian.

Rio, RJ – Off-Tap – Ballet do Teatro Municipal

Texto de Silvia Soter, comentarista de dança de O Globo, sobre o evento “Coreógrafos brasileiros” no Rio, na edição de 14.06.2007 do jornal:

O programa “Coreógrafos brasileiros” do Ballet do Teatro Municipal recupera uma bem-sucedida experiência de 1997. Se, naquela ocasião, os coreógrafos convidados já carregavam uma grande bagagem de criações, nessa nova versão coreógrafos experientes como Roseli Rodrigues, Henrique Rodovalho e João Saldanha são acompanhados pelas debutantes Marcella Gil e Priscila Albuquerque. Das cinco peças apresentadas, apenas duas foram criadas especialmente para a ocasião: “Manipulações sobre as forças do vazio”, de João Saldanha, e “Tão próximos”, de Henrique Rodovalho. “Novos ventos”, de Roseli Rodrigues, não é inédita e está desde 1999 no repertório da Raça Companhia de Dança, dirigida por Roseli. Já “Caos’Arte”, de Marcella Gil, e “Folia”, de Priscila Albuquerque, ambas bailarinas da casa, já foram apresentadas, ainda que em estado embrionário, no espetáculo de encerramento do Primeiro Workshop do Ballet do Teatro Municipal, no fim do ano passado.

A peça de Marcella Gil, inspirada na movimentação dos trabalhadores do Centro da cidade, apóia-se nos recursos da iluminação para o desenho dos espaços. A música se mistura a ruídos urbanos, e as esquinas por onde circulam os bailarinos são sempre delimitadas pela luz. Ainda que a idéia seja interessante, a peça acaba por sofrer do pecado comum aos criadores iniciantes. Marcella Gil abusa do recurso da iluminação e não consegue dar um desenvolvimento mais rico a sua proposta em termos de movimentação. O encontro entre a dança e a vida cotidiana não chega aos corpos.

Ao despir totalmente o enorme palco do teatro, valorizando pela iluminação o fundo da cena e a passarela que atravessa a rua e liga o teatro ao seu prédio anexo, João Saldanha consegue inverter a perspectiva do olhar do espectador em “Manipulações sobre as forças do vazio”. A boca de cena transforma-se em um fundo de corredor, e o palco é deste modo travestido em estúdio de dança. Os traços anacrônicos da arquitetura do teatro ganham correspondência nos figurinos. As saias longas parecem remeter aos tempos da dança moderna. Este trabalho segue na linha de investigação das últimas criações de João Saldanha, ao trazer a dança como exercício do espaço, afastandoa da sedução fácil e do espetacular. Com apenas cinco intérpretes em cena, a densidade da dança consegue vencer a desproporção entre a presença humana e a arquitetura do lugar. O silêncio e as pausas valorizam os gestos de cada intérprete.

“Folia”, de Priscila Albuquerque, dá conta do que se propõe. Circulando bem próxima do universo da dança clássica, a coreógrafa constrói uma peça correta, bem interpretada, mas sem grande pretensão ou ousadia. Em “Folia”, como também em “Caos’Arte”, ficam evidentes a seriedade, o empenho e o prazer com que todos os bailarinos defendem o trabalho de cada um dos criadores.

O ponto mais frágil do programa talvez seja “Tão próximos”, de Henrique Rodovalho. A proposta simples apenas na aparência – mostrar ao mesmo tempo a proximidade e a distância entre a intimidade do teatro e sua vizinhança, a Cinelândia – não chega a se realizar em cena. O que se vê é ainda uma tentativa de contaminação de linguagens, já que a movimentação tão particular do coreógrafo da Quasar Cia de Dança não parece minimamente consolidada nos corpos que dançam. A idéia fica restrita apenas à trilha sonora.

“Novos ventos” fecha o programa com elegância. A coreografia de Roseli Rodrigues ganha um tratamento preciso por parte da companhia. Talvez seja nessa peça que os intérpretes se mostrem mais à vontade.

É pena, no entanto, que uma estréia tão importante para o Ballet do Teatro Municipal tenha acontecido numa matinê e no meio de um feriado. A boa qualidade do programa, que tem sua última apresentação hoje, merecia um lugar de mais destaque na agenda da casa.

Mais Sweet Charity

Por falar em “Sweet Charity”, abaixo vai o elogioso texto da crítica teatral Barbara Heliodora publicado em O Globo de 27.04.2007:

A dança é a estrela na encenação exemplar do musical de Neil Simon

Sweet Charity: Montagem em cartaz no Vivo Rio comprova a maturidade do gênero no Brasil

TEATRO – CRÍTICA – Barbara Heliodora

A montagem de “Sweet Charity”, em cartaz no Vivo Rio, precisa ser comemorada, acima de tudo, como prova da maturidade do teatro brasileiro na área dos musicais, pois é fácil esquecer o quanto um espetáculo com essas exigências ficava além de nossa capacidade ainda há relativamente pouco tempo; enquanto tão gratificante ou até mais é o número e o nível de execução em canto e dança, igualmente recente.

É mais do que sabido que o texto do musical é (remotamente) baseado em “Noites de Cabíria”. Mas, como Neil Simon não é Fellini, o tom do todo fica completamente alterado, e com a música de Cy Coleman e Dorothy Fields o resultado é o de um típico roteiro de musical americano, tudo isso coroado pela fantástica coreografia de Bob Fosse. E é para este conjunto que Claudio Botelho faz (mais uma vez) uma tradução exemplar, na qual as letras sempre cabem corretamente nas músicas.

Recriação impecável da coreografia de Bob Fosse

“Sweet Charity” tem um título tão marcante quanto intraduzível, já que “Caridade” não é nome usado em áreas lusófonas — uma pena, porque o jogo com o nome da protagonista é significativo. O musical já tem 41 anos e na realidade fica um tanto datado, tanto na ingenuidade de sua trama (que perdeu a profundidade do original italiano) quanto por suas referências ao colorido período hippie.

A montagem brasileira é exemplar, com os bons cenários de Marcelo Larrea e Chris Aizner muito bem executados, e os ótimos figurinos de Emilia Duncan e Marcelo Lopes, tudo muito bem iluminado por Wagner Freire. A direção musical é de Miguel Briamonte (executada por ótimo conjunto regido por Carlos Bauzys), tudo com a surpervisão de Claudio Botelho.

E impecável é a recriação de Alonso Barros para a coreografia de Bob Fosse, que inclui um alegre momento de samba no pé. A direção-geral é de Charles Möller, que equilibra a modéstia dos diálogos falados com a exuberância da dança e cria bem o universo das “dançarinas de aluguel”.

Claudia Raia explora suas qualidades de dançarina

“Sweet Charity” é a realização de um sonho acalentado durante anos por Claudia Raia, que compensa com uma dose de humor autocrítico o conflito entre seu físico e o personagem, por quem ela obviamente tem imenso carinho, e tem oportunidade para explorar ao máximo suas altas qualidades de dançarina. Marcelo Médici é um Oscar Lindquist simpático; Ricca Barros está adequadamente vaidoso como Vittorio; Marcelo Pereira, corretamente mau caráter; e Edson Montenegro defende seu Daddy. Katia Barros e Renata Villela estão muito bem como Nickie e Helene, mas é indispensável dizer que Bruno Kimura, Carol Mariottini, Ciça Simões, Daniel Nunes, Estela Ribeiro, Floriano Nogueira, Hélcio Mattos, Keila Fuke, Klenio Casarini, Liana Melo, Luciana Bollina, Luiz Pacini, Paula Gelly, Priscila Sanches, Renato Bellini, Rodrigo Vicente, Thiago Jansen e Vanessa Costa são, junto com Claudia Raia, responsáveis pelo melhor de “Sweet Charity”, que são os grandes números de dança, impecável e brilhantemente executados.

Pé Na Jaca e Nas Chapinhas

Da coluna Controle Remoto de O Globo de hoje, 19.04.2007.

Legenda (o Blogger diminui as figuras muito grandes…):

“Rodrigo Lobardi, de “Pé na jaca”, sapateia no “Vídeo show”. Ele dança há sete anos, mas só contou para a família depois de seis meses escondendo os sapatos no armário.

Só não sei se a matéria vai ao ar hoje. O site oficial do programa não diz, mas disponibiliza (para assinantes) os vídeos do programa na íntegra, clicando aqui.

Samba, Música Erudita e Dança

Matéria do Segundo Caderno de O Globo de ontem, 16.02.2007:

Amor de carnaval
Quando o samba e o universo erudito se encontram na passarela

Villa-Lobos já foi homenageado algumas vezes, como em 1966, pela Mangueira, e em 1999, pela Mocidade Independente de Padre Miguel. Carlos Gomes e a soprano Bidu Sayão, respectivamente, pela Unidos da Tijuca e pela Beija-Flor, também ganharam enredos, ambos em 1995, quando houve muita discussão por conta da inserção de violinos e cantores eruditos no desfile.

De uns dez anos para cá, no entanto, não apenas personagens do universo clássico continuaram a freqüentar os desfiles — quem não se lembra da comissão de frente da Unidos da Tijuca fantasiada de Mozart do ano passado? — como as escolas passaram a ser povoadas por coreógrafos oriundos do balé.

A Vila Isabel, atual campeã, trouxe a bailarina Ana Botafogo, que estava na Mocidade. Já Marcelo Misailidis, que já foi o primeiro-bailarino e hoje dirige o corpo de baile do Teatro Municipal, completa uma década de avenida, cinco à frente do Salgueiro.

Esse casamento, tantas vezes criticado, parece cada vez mais consolidado no conceito de que o carnaval tornou-se um espetáculo universal. E dessa inusitada união surgem filhos curiosos, como o enredo da Arranco do Engenho de Dentro deste ano, que em seu desfile sobre as quatro estações do ano homenageará Vivaldi.

— A nossa idéia é falar das quatro estações do ano e de como elas estão presentes em nossas vidas aqui no Brasil, onde estão relacionadas a datas festivas. O carnaval está ligado ao verão assim como São João ao frio — diz Ilvamar Magalhães, idealizador do enredo da Arranco. — Vivaldi será lembrado pela série de concertos em que se incluem “As quatro estações”. O carnaval é um evento tão grandioso que deve estar aberto à diversidade. Vale o balé clássico ou a dança moderna. Tudo que nos aproxime do belo.

O carnavalesco Milton Cunha, responsável pelos violinos e pelo enredo-homenagem à cantora lírica Bidu Sayão, defende com unhas e dentes o intercâmbio entre as mais diversas linguagens:

— O Sambódromo é a grande boca de cena de artistas de outros universos, é a grande cena da modernidade. Respeito a discussão, mas acho engraçado o conservadorismo, a voz que propõe uma imortalidade. Tudo tem a ver com o que está sendo proposto. Sempre vai haver um diálogo com o novo. Dizer, como disseram na época, que não se pode botar a Maria Lúcia Godoy junto com o Neguinho da Beija-Flor é conversa mole para boi dormir.

Marcelo Misailidis, com três Estandartes de Ouro na bagagem, lembra que entrou para a festa, assim como seus pares, por uma necessidade estrutural do espetáculo:

— Quando a Unidos da Tijuca me convidou, em 1997, as comissões estavam num processo de adaptação, precisavam corresponder ao crescimento e ao embelezamento das escolas. Mas tive dificuldades iniciais com as especificações da avenida. Acho que eu e outros coreógrafos contribuímos para a festa com o profissionalismo e por entendermos o sentido de produção de um espetáculo.

Misailidis conta que no início acreditava que a linguagem da dança clássica poderia levar clareza para as mensagens sugeridas pelos carnavalescos. Depois percebeu que essa clareza poderia virar o isolamento de uma estética particular e distanciar parte do público do resultado proposto.

— Minha contribuição foi outra. Foi o sentido de organização, a disciplina e o compromisso com o conjunto. Não é somente ensaiar. É como a produção que cuida de um espetáculo, desde o funcionamento das bilheteria até o cerrar das cortinas. Não adianta valorizar um aspecto e ficar carente por outro lado. Por isso, trabalho basicamente com pessoas da comunidade. Para não ficar limitado a uma especificidade estética.

Figura recorrente na Sapucaí desde que desfilou pela primeira vez, em 1991, na ponta dos pés, na União da Ilha, a bailarina e atriz de “Páginas da vida” Ana Botafogo é responsável este ano pela comissão de frente da campeã Vila Isabel. Ela lembra que já na sua estréia na avenida ficou deslumbrada com as diversas possibilidades que o Sambódromo oferece como um grande e potencial cenário.

— De cima do carro alegórico eu pensava: “Nossa, é o maior público para quem me apresentei”. Enquanto você evolui o público se renova, cada espectador tem um olhar diferente. Não existiam os ensaios técnicos, então era dobrar a curva e sentir a emoção direto, na veia — conta Ana.

Quando foi convidada para coreografar a comissão da Mocidade, no ano passado, a bailarina encontrou muitas dificuldades:

— Tive que aprender de um ano para o outro. Tive que medir cada evolução, pensar na coreografia para os jurados, onde parar. Uma loucura para uma iniciante. Sei que este ano será um pouco mais fácil. Mas tudo isso é muito profissional, cronometrado. Faço contagem de distância e de tempo, para não dar chance ao erro.

Mas sua experiência como coreógrafa e bailarina tem sido fundamental na preparação de sua comissão para o desfile.

— Na realidade um ensaio em si não tem muita diferença. Requer disciplina, precisão. O que difere é a condição física. O bailarino dança pas de deux de dez minutos,. pára, respira, volta ao palco. Na avenida são 40 minutos ininterruptos. Então o ponto de partida para mim é a preparação física de pessoas que, muitas vezes, não têm uma atividade regular. Trabalho a parte aeróbica e o aquecimento.

Apesar de acreditar na importância do seu trabalho e de seus pares de ofício para o desenvolvimento da escola, Ana faz questão de dizer que a força-motriz sempre será o sambista:

— Sou muito a favor das raízes do samba, da tradição. Mas acho esse casamento com o erudito viável quando há motivos, quando o enredo pede esses elementos para compor. Sem razão de ser, eu não concordo. Se forem falar de dança, da História, aí tem um motivo. Não quero tirar o lugar de pessoas tradicionais do samba.

Off-Tap – Máquinas de Dança

Deveriam aproveitar e tornar esta uma excelente oportunidade de incentivar a dança propriamente dita. A matéria abaixo, do Terra, se refere àquelas “máquinas de dança” (foto) muito populares nos shoppings e cadas de jogos eletrônicos do Rio e outras cidades:

O Estado norte-americano de West Virginia, que tem o pior índice de obesidade infantil dos Estados Unidos, está seguindo com os planos de usar o videogame “Dance Dance Revolution”, da Konami, para combater o problema nas escolas.
O Estado, que planeja colocar o videogame em cada uma de suas escolas públicas, informou na quarta-feira que uma pesquisa sugere que o jogo ajuda a evitar ganho de peso.

Resultados preliminares de um estudo de 24 semanas que acompanhou 50 crianças obesas com idades entre 7 e 12 anos, mostraram que os jovens que jogaram o game em casa por pelo menos 30 minutos durante cinco dias por semana mantiveram seu peso. Elas registraram também uma redução em alguns fatores de risco de doença coronária e diabetes.

Leia mais no Terra ou no Globo Online (para cadastrados no site).

Rio, RJ – Off-Tap – Theatro Municipal do RJ

Matéria do Segundo Caderno do jornal O Globo em 08.01.2007:

Municipal oferece nova carreira para membros de seu corpo de baile

Não será no papel de professoras que Ana Botafogo e Cecília Kerche, as duas maiores bailarinas clássicas do Brasil em atividade, entrarão em sala de aula no fim de fevereiro. Elas se inscreveram como alunas na primeira turma de bailarinos do Teatro Municipal a receber um curso de licenciatura em dança, oferecido pela UniverCidade, com 50% de desconto e a comodidade de aulas adaptadas a seu horário de trabalho. O curso tem duração de três anos.

— Estou bastante animada. Voltar a estudar será muito bom. Tenho o terceiro grau incompleto. Abandonei o curso de letras porque já estava com uma carreira ativa na dança e viajando muito. Mesmo que não consiga concluir a licenciatura, será ótimo receber noções de anatomia e de outras disciplinas que nunca estudei. Além disso, o curso dará chance a muitos bailarinos que estão terminando carreira de virar bons professores. Eu ainda não penso no que farei quando chegar a minha vez, mas gosto de atuar na preparação de jovens bailarinos, então esse pode ser um caminho — diz Ana Botafogo, que faz o papel de professora de balé na novela “Páginas da vida” e, por conta disso, participou de apenas um espetáculo em 2006, “A criação”.

Horário das aulas se adequa a ensaios e espetáculos

Coordenador do curso de licenciatura em dança da UniverCidade, Roberto Pereira explica que os professores irão ao encontro dos bailarinos na sala de ensaios no anexo do Municipal.

Ele propôs a idéia ao diretor do corpo de baile, Marcelo Misailidis, que desde meados do ano passado, quando assumiu esse posto, vem trazendo especialistas para palestras no teatro.

— Dei uma palestra chamada “Dança não é coreografia” numa série de workshops organizada por Marcelo e fui jurado num concurso que escolheu as melhores coreografias criadas pelos próprios bailarinos do teatro. Vi que havia interesse deles em se especializar, em continuar a formação. Mas tinha que ser um curso que se ajustasse à agenda deles — conta Pereira, que resolveu, através da UniverCidade, oferecer um curso que vai respeitar a temporada do balé, com aulas depois dos ensaios e folga em dias de espetáculo. Os bailarinos terão disciplinas técnicas como balé clássico, dança contemporânea, história da dança, filosofia, estética, composição coreográfica e anatomia.

Para Ana Botafogo, a flexibilidade das aulas será essencial. Ela conta que os ensaios, das 10h às 16h, impedem que ela e muitos colegas freqüentem uma faculdade. Durante a temporada, ressalta, há dias em que eles ocorrem das 16h à meia-noite.

O corpo de baile do Municipal tem cerca de cem integrantes, mas, devido à idade, apenas metade tem condições de atuar em todas as produções da casa. Entre os demais, há alguns que não sobem mais ao palco, e outros 30 que fazem papéis próprios para bailarinos mais velhos ou figuração.

Segundo Roberto Pereira, são esses os que mais se beneficiarão do curso:

— Isso permitirá que os bailarinos que já não dançam mais possam dar aulas. Eles poderão continuar a carreira como educadores na escola de dança Maria Olenewa, que faz parte do Teatro Municipal, ou em instituições semelhantes.

Rio, RJ – Off-Tap – Temporada 2007

O Segundo Caderno de O Globo de ontem, 27.12.2006, trouxe outras duas matérias interessantes sobre as perspectivas da dança (contemporânea, moderno, flamenco e clássico) no Rio para 2007:

Em 2007, dança contemporânea rouba a cena
(Eduardo Fradkin)

A dança contemporânea vai dominar a cena em 2007, seguida pelo balé moderno e pelo flamenco. O clássico não deverá ter vez, a não ser em duas produções do Teatro Municipal (anunciadas na reportagem abaixo desta). Na agenda da Dell’Arte Soluções Culturais — que promove a série O Globo Em Movimento — já constam cinco atrações internacionais. Outras ainda dependem de negociação.

Sem delongas, as confirmadas são: Momix, Complexions, Companhia (de flamenco) Antonio Gades, Les Ballets Trockadero de Monte Carlo (ou Trocks) e Balé de Zurique. As duas últimas, apesar de terem balé no nome, não advogam o clássico. Os Trocks fazem dele uma paródia, e o grupo de Zurique dança um vigoroso balé moderno.

A Antares, outra atuante produtora, confirmou a vinda, em junho, do Nederlands Dans Theater, uma companhia holandesa de dança contemporânea fundada em 1959. Ela se subdivide em três grupos. O que virá ao Brasil é o segundo, formado por bailarinos de 17 a 22 anos de idade. Esse subgrupo, que possui repertório próprio, existe desde 1978 e conta com 16 integrantes.

Outras duas atrações da Antares dependem de patrocinador. São a Akram Khan Company, da Inglaterra, prevista para setembro, e, para outubro, a coreana JUMP!, que executa coreografias fortemente inspiradas nas artes marciais.

A temporada carioca da Dell’Arte começará dia 13 de março com o Balé de Zurique. A companhia, composta por 40 bailarinos provenientes de todo o mundo (até do Brasil), dançará ao som de algumas das belíssimas suítes para violoncelo solo de Bach, tocadas ao vivo por um músico no palco.

Em São Paulo, eles se apresentarão num lugar inusitado.

— Será a primeira vez que se fará um espetáculo de dança no Auditório do Ibirapuera. Os próprios suíços o visitaram e o aprovaram. Em 2007, o Teatro Municipal de São Paulo ficará fechado e isso gerou um enorme problema, pois não é rentável trazer grupos para apresentações apenas no Rio. Ao contrário do que se pensa, em São Paulo falta equipamento cultural. As alternativas ao Municipal são apenas os teatros Alfa e Sérgio Cardoso, que é pequeno — reclama o diretor executivo da Dell’Arte, Steffen Dauelsberg.

Em maio, os cariocas verão Complexions, uma companhia que expressa a “diversidade cultural da América”, com 18 bailarinos. Segundo Dauelsberg, será um espetáculo para toda a família, alegre e com elementos cênicos surpreendentes.

Em agosto, outra companhia americana, a aclamada Momix, voltará ao Rio.

— Serão, no mínimo, dez apresentações, com três programas diferentes. Um deles será “Opus cactus” (encenado aqui em 2002) e outro será “Lunar sea” (montado aqui em 2005). O terceiro ainda não foi escolhido — diz Dauelsberg.

Os dois últimos convidados serão os Trocks, em setembro, e a Cia. Antonio Gades, de dança flamenca, em outubro.

— Os Trocks têm uma técnica impecável e a usam para fazer humor com o balé clássico. Mas é um humor inteligente, e não grosso — comenta o executivo da Dell’Arte, frisando que todas as datas no Rio dependem de aprovação do novo diretor do Teatro Municipal.

No cenário nacional também haverá novidades. O Grupo Corpo, de Belo Horizonte, estreará em agosto, em São Paulo, um novo espetáculo, que abordará a competição por espaços. A trilha-sonora é de Lenine, que chamou Igor Cavalera (ex-Sepultura) para tocar bateria. Depois de duas semanas em Sampa, o grupo, que tem 20 bailarinos, virá para o Municipal do Rio, onde ficará em cartaz durante pelo menos uma semana.

Antes disso, a coreógrafa Dani Lima concluirá a trilogia “Vida real em três capítulos” com uma instalação multimídia chamada “Eu é um outro” e, ainda no primeiro semestre, mostrará, no Rio, os três capítulos juntos. Regina Miranda já está ensaiando um trio com o ator Edilson Botelho e a bailarina Marina Salomon.

O espetáculo, ainda sem título, baseia-se na peça “Love letters”, de A.R. Gurney. O tema é a correspondência de dois amigosamantes através do tempo.

Um diretor entre o balé e o carnaval
(Eduardo Fradkin)

O diretor do corpo de baile do Teatro Municipal, Marcelo Misailidis, está com a programação de balés de 2007 pronta, mas ela ainda terá de ser ratificada pelo musicólogo Luiz Paulo Sampaio, que assumirá a direção da casa no ano que vem. Apesar da ressalva, Misailidis, que foi primeiro bailarino do Municipal por 15 anos, não se recusou a divulgar as atrações. Curioso foi o lugar escolhido para a entrevista: um ensaio do Salgueiro. Misailidis é coreógrafo da comissão de frente da escola de samba tijucana.

Para abrir a temporada de 2007, no fim de março, ele planejou uma reprise do clássico “O lago dos cisnes”, com música de Tchaikovsky. O balé foi apresentado em setembro deste ano.

— É um espetáculo que não exigirá investimento, pois será uma remontagem. Além disso, é uma obra importante que não pode sair do repertório do nosso conjunto. Depois desse teremos novidades — observa Misailidis, que tem 38 anos e três Estandartes de Ouro em casa, conquistados em nove anos de trabalho no carnaval.

Entre as novidades, há uma coreografia de George Balanchine, russo que se exilou nos Estados Unidos e lá desenvolveu uma nova forma de dança mesclando uma base arraigada no balé clássico com idéias inovadoras e muita velocidade.

Também será encenada uma coreografia do americano Jerome Robbins, que colaborou em musicais famosos como “West Side story”, “O rei e eu” e “Um violinista no telhado”.

Em seguida, os cariocas verão “A sagração da primavera”, balé revolucionário de Stravinsky, que motivou vaias e tumulto na sua estréia parisiense, mas com o tempo se tornou um clássico moderno.

Depois, será encenada uma coreografia de Roland Petit, que já foi definido como criador de espetáculos que misturam tragédia e champanhe, sendo uma síntese do povo francês. Misailidis ainda não escolheu uma obra desse coreógrafo, mas está inclinado para “Notre-Dame de Paris”. Para fechar a temporada, a escolha foi a mais previsível possível: “O quebra-nozes”.

A atuação de Misailidis à frente do corpo de baile não se restringe a montar uma programação e ensaiar o grupo. Neste ano, ele iniciou um projeto de workshops para capacitar os bailarinos com noções de direção, iluminação e outras funções técnicas. Ele anuncia que o projeto continuará em 2007. Além dos workshops, foi formada uma turma de bailarinos (voluntários) para fazer um curso de licenciatura em dança na UniverCidade, com bolsa de estudos.

— Quero propiciar também viagens do corpo de baile para outros estados. Para isso, estou tentando parcerias com companhias de São Paulo, Belo Horizonte e Salvador. Elas viriam se apresentar no Municipal do Rio e nós iríamos para os palcos deles — planeja Misailidis.

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