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Samba, Música Erudita e Dança

Matéria do Segundo Caderno de O Globo de ontem, 16.02.2007:

Amor de carnaval
Quando o samba e o universo erudito se encontram na passarela

Villa-Lobos já foi homenageado algumas vezes, como em 1966, pela Mangueira, e em 1999, pela Mocidade Independente de Padre Miguel. Carlos Gomes e a soprano Bidu Sayão, respectivamente, pela Unidos da Tijuca e pela Beija-Flor, também ganharam enredos, ambos em 1995, quando houve muita discussão por conta da inserção de violinos e cantores eruditos no desfile.

De uns dez anos para cá, no entanto, não apenas personagens do universo clássico continuaram a freqüentar os desfiles — quem não se lembra da comissão de frente da Unidos da Tijuca fantasiada de Mozart do ano passado? — como as escolas passaram a ser povoadas por coreógrafos oriundos do balé.

A Vila Isabel, atual campeã, trouxe a bailarina Ana Botafogo, que estava na Mocidade. Já Marcelo Misailidis, que já foi o primeiro-bailarino e hoje dirige o corpo de baile do Teatro Municipal, completa uma década de avenida, cinco à frente do Salgueiro.

Esse casamento, tantas vezes criticado, parece cada vez mais consolidado no conceito de que o carnaval tornou-se um espetáculo universal. E dessa inusitada união surgem filhos curiosos, como o enredo da Arranco do Engenho de Dentro deste ano, que em seu desfile sobre as quatro estações do ano homenageará Vivaldi.

— A nossa idéia é falar das quatro estações do ano e de como elas estão presentes em nossas vidas aqui no Brasil, onde estão relacionadas a datas festivas. O carnaval está ligado ao verão assim como São João ao frio — diz Ilvamar Magalhães, idealizador do enredo da Arranco. — Vivaldi será lembrado pela série de concertos em que se incluem “As quatro estações”. O carnaval é um evento tão grandioso que deve estar aberto à diversidade. Vale o balé clássico ou a dança moderna. Tudo que nos aproxime do belo.

O carnavalesco Milton Cunha, responsável pelos violinos e pelo enredo-homenagem à cantora lírica Bidu Sayão, defende com unhas e dentes o intercâmbio entre as mais diversas linguagens:

— O Sambódromo é a grande boca de cena de artistas de outros universos, é a grande cena da modernidade. Respeito a discussão, mas acho engraçado o conservadorismo, a voz que propõe uma imortalidade. Tudo tem a ver com o que está sendo proposto. Sempre vai haver um diálogo com o novo. Dizer, como disseram na época, que não se pode botar a Maria Lúcia Godoy junto com o Neguinho da Beija-Flor é conversa mole para boi dormir.

Marcelo Misailidis, com três Estandartes de Ouro na bagagem, lembra que entrou para a festa, assim como seus pares, por uma necessidade estrutural do espetáculo:

— Quando a Unidos da Tijuca me convidou, em 1997, as comissões estavam num processo de adaptação, precisavam corresponder ao crescimento e ao embelezamento das escolas. Mas tive dificuldades iniciais com as especificações da avenida. Acho que eu e outros coreógrafos contribuímos para a festa com o profissionalismo e por entendermos o sentido de produção de um espetáculo.

Misailidis conta que no início acreditava que a linguagem da dança clássica poderia levar clareza para as mensagens sugeridas pelos carnavalescos. Depois percebeu que essa clareza poderia virar o isolamento de uma estética particular e distanciar parte do público do resultado proposto.

— Minha contribuição foi outra. Foi o sentido de organização, a disciplina e o compromisso com o conjunto. Não é somente ensaiar. É como a produção que cuida de um espetáculo, desde o funcionamento das bilheteria até o cerrar das cortinas. Não adianta valorizar um aspecto e ficar carente por outro lado. Por isso, trabalho basicamente com pessoas da comunidade. Para não ficar limitado a uma especificidade estética.

Figura recorrente na Sapucaí desde que desfilou pela primeira vez, em 1991, na ponta dos pés, na União da Ilha, a bailarina e atriz de “Páginas da vida” Ana Botafogo é responsável este ano pela comissão de frente da campeã Vila Isabel. Ela lembra que já na sua estréia na avenida ficou deslumbrada com as diversas possibilidades que o Sambódromo oferece como um grande e potencial cenário.

— De cima do carro alegórico eu pensava: “Nossa, é o maior público para quem me apresentei”. Enquanto você evolui o público se renova, cada espectador tem um olhar diferente. Não existiam os ensaios técnicos, então era dobrar a curva e sentir a emoção direto, na veia — conta Ana.

Quando foi convidada para coreografar a comissão da Mocidade, no ano passado, a bailarina encontrou muitas dificuldades:

— Tive que aprender de um ano para o outro. Tive que medir cada evolução, pensar na coreografia para os jurados, onde parar. Uma loucura para uma iniciante. Sei que este ano será um pouco mais fácil. Mas tudo isso é muito profissional, cronometrado. Faço contagem de distância e de tempo, para não dar chance ao erro.

Mas sua experiência como coreógrafa e bailarina tem sido fundamental na preparação de sua comissão para o desfile.

— Na realidade um ensaio em si não tem muita diferença. Requer disciplina, precisão. O que difere é a condição física. O bailarino dança pas de deux de dez minutos,. pára, respira, volta ao palco. Na avenida são 40 minutos ininterruptos. Então o ponto de partida para mim é a preparação física de pessoas que, muitas vezes, não têm uma atividade regular. Trabalho a parte aeróbica e o aquecimento.

Apesar de acreditar na importância do seu trabalho e de seus pares de ofício para o desenvolvimento da escola, Ana faz questão de dizer que a força-motriz sempre será o sambista:

— Sou muito a favor das raízes do samba, da tradição. Mas acho esse casamento com o erudito viável quando há motivos, quando o enredo pede esses elementos para compor. Sem razão de ser, eu não concordo. Se forem falar de dança, da História, aí tem um motivo. Não quero tirar o lugar de pessoas tradicionais do samba.

Off-Tap – Máquinas de Dança

Deveriam aproveitar e tornar esta uma excelente oportunidade de incentivar a dança propriamente dita. A matéria abaixo, do Terra, se refere àquelas “máquinas de dança” (foto) muito populares nos shoppings e cadas de jogos eletrônicos do Rio e outras cidades:

O Estado norte-americano de West Virginia, que tem o pior índice de obesidade infantil dos Estados Unidos, está seguindo com os planos de usar o videogame “Dance Dance Revolution”, da Konami, para combater o problema nas escolas.
O Estado, que planeja colocar o videogame em cada uma de suas escolas públicas, informou na quarta-feira que uma pesquisa sugere que o jogo ajuda a evitar ganho de peso.

Resultados preliminares de um estudo de 24 semanas que acompanhou 50 crianças obesas com idades entre 7 e 12 anos, mostraram que os jovens que jogaram o game em casa por pelo menos 30 minutos durante cinco dias por semana mantiveram seu peso. Elas registraram também uma redução em alguns fatores de risco de doença coronária e diabetes.

Leia mais no Terra ou no Globo Online (para cadastrados no site).

Dança de Diversos Tipos na TV

No link, um matéria do site de televisão do UOL sobre as diversas versões de programas de TV que utilizaram dança em busca da audiência este ano: clique aqui.

Sivuca (1930-2006)

Embora não seja um artista da dança, suas músicas foram, são e serão sempre usadas nas coreografias de sapateado com ritmos brasileiros – e também nas salas de aula – por esse Brasil afora. Numa das coreografias de sapateado que mais gosto na vida, a nossa grande mestra sapateadora e coreógrafa Cíntia Martin levou para Nova York, em 2001, na primeira edição do “New York City Tap Festival”, uma coreografia ao som de uma das melhores músicas de Sivuca, “Um Tom Para Jobim” – por sinal, uma de minhas músicas favoritas, do CD “Pau Doido”, de 1992.

A vida é curta mesmo. Gente como ele tinha que viver mais de 100 anos. Desnecessário dizer que pouquíssima gente sabe no Brasil, infelizmente, mas Sivuca foi um dos primeiros grandes músicos brasileiros a fazer realmente sucesso no exterior. Aqui dentro, merecia ser mais respeitado e conhecido. Uma perda enorme pra música brasileira.

Morre aos 76 anos o compositor Sivuca

Morreu na noite desta quinta-feira, aos 76 anos, o instrumentista, arranjador e compositor Severino Dias de Oliveira, mais conhecido como Sivuca. Ele estava internado há dois dias no Hospital Memorial São Francisco, em João Pessoa, e lutava contra um câncer na garganta.

Sivuca será sepultado às 17h no Cemitério Parque das Acácias, onde é velado desde a madrugada. Era casado com a também compositora e cantora Glória Gadelha, nascida em Sousa, Paraíba.

Natural de Itabaiana, cidade do interior da Paraíba, Sivuca começou a carreira aos 9 anos, tocando em feiras e festas populares. Aos 15, mudou-se para Recife, onde adotou seu nome artístico.

Em 1945, se inscreveu num programa de calouros da Rádio Clube de Pernambuco e foi selecionado pelo maestro Nelson Ferreira, que o indicou para tocar num programa da Rádio do dia seguinte. Foi Nelson Ferreira quem lhe deu o nome de Sivuca.

Na Rádio Clube de Pernambuco, em 1946, Sivuca conheceu Luiz Gonzaga, que ofereceu um contrato de trabalho para ele na Rádio Nacional.
Na época, ele não pôde afastar-se do Recife por ter compromisso assinado com a Rádio Clube. Entretanto, quatro anos depois, estreou na Rádio Record, em São Paulo, com a grande Orquestra Record, dirigida pelo maestro Gabriel Migliori.

O primeiro grande sucesso de Sivuca, Adeus, Maria Fulô, foi lançado em 1950 e regravado numa versão psicodélica pelos Mutantes, nos anos 60.

Em 1955, foi morar no Rio de Janeiro. Após apresentações na Europa como arcodeonista num grupo chamado Os Brasileiros, chegou a morar em Lisboa e Paris. Também morou em Nova York de 1964 a 1976, onde foi autor do arranjo do grande sucesso Pata Pata, de Miriam Makeba, com quem então excursionou pelo mundo até o fim da década de 60.

Fonte da matéria: Terra

O (excelente) site oficial de Sivuca:
http://www.sivuca.com.br/

Happy Feet – Mais Textos

Do blog de Sérgio Dávila, no UOL:

Animação ensina tolerância ao som de Prince e Queen

Tolerância. Essa é a mensagem do filme “Happy Feet – O Pingüim”, animação com vozes de atores que estréia hoje em São Paulo. Conta a história de Mumble/Mano (versão original/versão brasileira, voz original de Elijah Wood), um pingüim imperador que nasce diferente dos pares.

Por um descuido do pai (voz de Hugh Jackman) na hora de chocar, ele cresce com habilidade de sapatear, em vez de produzir um som único que vai atrair sua fêmea, como acontece com os pingüins imperadores. Por isso, é banido. Promete voltar depois de descobrir a causa da falta de peixes que ameaça sua raça.

Uma história tradicional, não fosse o diretor o grande George Miller, bissexto, de “Mad Max”, “Babe – O Porquinho” e, principalmente, “O Óleo de Lorenzo”, e sua mensagem, tão urgente nos dias de hoje, de que o outro pode ser parte da solução, e não necessariamente uma ameaça.

Some a isso uma coreografia feita pelo grande sapateador Savion Glover, uma animação impecável e – voilà -, eis o filme da família desse fim de ano.

Semi-musical, “Happy Feet” faz sua trilha sonora valer metade do ingresso: à “Moulin Rouge”, reinterpreta clássicos do rock e do não-rock, como “Kiss”, “Somebody to Love”, “If You Leave Me Now” e “My Way”, cantados pelos próprios atores.

Robin Williams fazendo as vozes de Ramón, o chefe da turma de pingüins “latinos”, e Lovelace, o guru farsante destes, vale a outra metade. Principalmente quando ele tenta demover Mumble/Mano de sua empreitada, dizendo: “Você já fez tudo o que é ‘pingüinamente’ possível!”

Criança ou não, não perca.

Fonte: UOL.

Happy Feet – Savion Glover e Kelley Abbey

Na matéria do UOL, na verdade um texto da Hollywood Reporter, via Reuters, mais um trecho sobre Savion Glover, incluindo também citação a Kelley Abbey:

Para o sapateado, ele procurou o virtuose Savion Glover, que “representa” Mano com a ajuda da técnica do “motion capture”. A coreógrafa Kelley Abbey trabalha com outros dançarinos em grupos, de modo que a tela se enche de milhares de pingüins dançantes, cada um, aparentemente, com seu estilo próprio.

Leia o texto completo no UOL clicando aqui.

Texto no Hollywood Reporter: clique aqui.

…..

No LATimes, outra matéria falando sobre Savion…

Savion Glover’s happy feet

… e, aqui, a crítica do Chicago Tribune.

…..

Num outro site, “Cinema Review” (em inglês) há notas de produção falando bastante sobre o trabalho de Savion e Kelley: clique aqui para ler tudo, com direito a depoimentos do diretor do filme, George Miller, a respeito de Savion…

“Given that Mumble is a virtuoso tap dancer, who better than Savion to play him? Savion’s inimitable dancing was motion captured for Mumble’s tapping in the main dance sequences in the movie. He’s a dazzling percussionist. His rhythms are so complex and sophisticated. Tap dancing is music you make with your body, and Savion is a virtuoso. You can play him anything and he’ll improvise to it. At one point, we played him a helicopter and he mimicked the sound with his feet. He was moving so quickly, he was faster than the camera could record…or than I could see with my naked eye. He is quite extraordinary. (…) Savion is the latest in a line of classic hoofers. He loves tap so much, it is absolutely part of him. He feels an obligation to pass his knowledge on, which is why he was the only choice of dancers to give Mumble his Heartsong.”

… a respeito de Kelley Abbey…

“Kelley has done everything. She’s the top stage and music video choreographer in Australia and is also an extraordinary performer. In the film, she dances and performs the dramatic moves for several characters, including Norma Jean, Gloria and Ramon.”

… e também depoimentos de Kelley…

Savion adds another dimension to the movie. He’s so unique. He’s always expressing himself with his feet. When Savion enters the building, you know it. You can hear him!”

… e do próprio Savion…

“Kelley’s no longer human. She became a penguin on this movie. Working with her was great. She guided me, she had my back…I actually started calling her ‘my right-hand penguin.’”

“The process of making this movie was amazing. It’s all about instant gratification. There I was on stage, wearing this suit with all these little reflectors all over it, and then Mumble was right there on the computer screen. You could actually see me as Mumble.”

…..

O mais importante:

“I truly believe that kids are going to see this tap dancing penguin and say, ‘That’s too cool.’ George Miller is bringing back tap, and I’m just grateful to be a part of that. I’m not the only one; I know there are many great hoofers looking down on George right now and saying, ‘Thank you. Thank you. Thank you.'”

(Savion Glover)

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